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Novo ministro já foi retirado à força de confusão no Congresso em 2014

No episódio, ocorrido em dezembro de 2014, era discutido no Congresso um projeto de lei que permitiria ao governo de Dilma descumpri meta

Por FolhaPress 13/05/2022 7h15
O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, durante entrevista coletiva. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pedro Ladeira e Fábio Pupo
Brasília, DF

O novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, foi retirado à força de uma galeria no Congresso Federal pela Polícia Legislativa em 2014, durante um protesto. As fotos da época voltaram a circular nesta semana, após ele assumir o novo posto.

No episódio, ocorrido em 2 de dezembro daquele ano, era discutido no Congresso um projeto de lei que permitiria ao governo de Dilma Rousseff (PT) descumprir a meta para as contas públicas. Seria o primeiro ano de déficit do país, que não saiu mais saiu do vermelho.

Em meio à ofensiva da oposição para adiar a análise do projeto, parlamentares da base aliada começaram a reclamar do protesto que contava com gritos de “fora PT”, “o PT roubou” e “vá para Cuba”.

Na época, Sachsida já era servidor público do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). A confusão começou logo no início dos trabalhos, quando a oposição tentava liberar o acesso dos mais de 200 manifestantes que pediam para acompanhar a votação. Foi autorizada a entrada de 50 pessoas na parte superior do plenário.

Relato da Folha da época conta que a temperatura aumentou quando a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que discursava na tribuna, foi chamada de “vagabunda”. O então presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu suspender a sessão para a retirada dos manifestantes.

Um grupo de 15 deputados da oposição decidiu impedir a saída e foram para as galerias fazer um cordão de isolamento. A Polícia Legislativa reagiu com empurrões e truculência. Uma senhora de 79 anos, Ruth Gomes de Sá, ligada ao PSDB, levou uma gravata de um segurança.

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Um agente chegou a atingir um homem com uma arma que dispara cargas elétricas. Ele desmaiou por alguns segundos e foi carregado por parlamentares. No tumulto, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) chegou a rolar nas escadas.

Ao longo de mais de uma hora, os manifestantes gritaram “fora Renan” e “o Congresso é um curral”, além de ataques ao governo. Ele se identificaram como integrantes do “Movimento Brasil Livre e Democracia Já”, com caravanas de São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal, entre outros. Eles reconheceram que foram mobilizados por parlamentares oposicionistas.

Com a confusão, Renan encerrou a sessão e convocou uma nova votação. O adiamento colocou o governo em situação de alerta, já que seria preciso um superávit de R$ 116,1 bilhões naquele ano (valor da época) e não havia como cumpri-lo.

O texto foi aprovado nos dias seguintes. A manobra permitiu abater da conta da meta os gastos com desonerações tributárias e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, que destinava bilhões a obras públicas na era petista). Com isso, foi permitido um déficit —que acabou sendo de R$ 23 bilhões (a valores da época).

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O ministro Paulo Guedes (Economia) assumiu prometendo eliminar o déficit o quanto antes e chegou a declarar que seria possível chegar ao azul já em 2019, no primeiro ano de governo. O objetivo não foi cumprido nem antes e nem depois da pandemia, que exigiu centenas de bilhões em gastos emergenciais.

Recentemente, o governo Jair Bolsonaro (PL) propôs uma meta fiscal que autoriza um déficit de cerca de R$ 66 bilhões em 2023, o primeiro ano de mandato do próximo presidente da República.

O cenário traçado pelos técnicos mostra que as contas permanecerão no negativo em 2024 e só têm chance de voltar ao azul em 2025. Com isso, o Brasil somará ao menos 11 anos de déficit.

Para cobrir esse buraco, o país precisa emprestar dinheiro. Hoje, a previsão é que a dívida federal chegue a R$ 6,4 trilhões em 2022.

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