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Economia

Negociações da OMC fracassam e retomada pode levar anos

Arquivo Geral

24/07/2006 0h00

Atualizada às 10h53 

Negociações entre as principais potências comerciais para salvar a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) fracassaram hoje, sales visit this colocando em dúvida o futuro das negociações para um acordo global de livre comércio.

Um diplomata bem informado afirmou: "As conversas do G6 fracassaram. Ainda não está claro que opções existem além da suspensão (da Rodada de Doha)."

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, disse a ministros das seis potências comerciais ontem que ele cancelaria a Agenda de Desenvolvimento de Doha (ADD) – lançada em 2001 para aliviar a pobreza e fortalecer a economia global – caso o impasse não fosse rapidamente superado.

"Lamy disse que se não houvesse um resultado, ele proporia a suspensão da ADD", disse um diplomata, segundo o qual um anúncio do diretor da OMC poderia ser feito já hoje.

Os ministros dos países do G6 – que reúne Austrália, Brasil, Índia, Japão, União Européia e Estados Unidos – não conseguiram romper o impasse numa sessão de negociações que durou 14 horas ontem. Eles deveriam retomar o diálogo hoje.

Eles têm tentado chegar a um acordo sobre como incentivar o comércio de produtos agrícolas e industriais. Mas não houve avanço na reunião de ontem na importante área de subsídios agrícolas, onde os EUA estão sob pressão para fazer mais concessões.

"Não houve nenhum movimento na questão do apoio doméstico. Teremos novo encontro amanhã (segunda-feira) para ver se as coisas mudaram durante a noite ou se surgiram novas idéias", disse Mariann Fischer Boel, comissária da UE para a Agricultura ontem.

Os EUA não se pronunciaram. Washington tem insistido que a UE e outros membros da OMC considerados "protecionistas" precisam concordar em reduzir suas barreiras tarifárias agrícolas antes de mudar seus próprios subsídios.

Diplomatas disseram que o fracasso no encontro do G6, que já fez várias vezes um "último esforço" para chegar a um acordo, deixaria a OMC sem tempo suficiente para completar os detalhes de um complexo acordo mundial de comércio até o fim do ano.

Os negociadores determinaram um prazo de conclusão para a Rodada de Doha até o final deste ano, já que em 2007 expira um mecanismo constitucional que dá ao presidente dos EUA poderes especiais para negociar sobre comércio.

A rodada tem sido classificada como uma chance única de impulsionar o crescimento global e retirar milhões de pessoas da pobreza.

Após prometer que seus negociadores seriam mais flexíveis, o G8 (que reúne as oito principais potências industriais) determinou na semana passada o objetivo de conseguir romper até meados de agosto o impasse nas discussões sobre produtos agrícolas e manufaturados.

Os países do G6 são responsáveis por três quartos do comércio mundial e representam um amplo leque de interesses comerciais.

Lamy disse que os EUA precisam oferecer maiores cortes em seus subsídios agrícolas, a UE deve diminuir suas barreiras contra a importação de produtos agrícolas e os grandes países em desenvolvimento precisam abrir seus mercados aos produtos industrializados.

Washington sustenta que sua oferta de cortar em 60% o valor máximo de seus subsídios domésticos é significativa, mas seus adversários na negociação argumentam que, na prática, os gastos reais com subsídios a seus produtores continuariam os mesmos.

 

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