Menu
Economia

‘Não precisa de estatal para isso’, diz ministro da Indústria sobre gestão de terras raras

“Não precisa de estatal para isso. Na nossa avaliação não há necessidade alguma de se criar uma estatal para se fazer a exploração, refino ou beneficiamento de mineral crítico”, afirmou Márcio Elias

Redação Jornal de Brasília

24/04/2026 13h31

marcio elias rosa

Márcio Elias Rosa, ministro do Mdic. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

MARCOS HERMANSON
FOLHAPRESS

O ministro Márcio Elias, do Mdic (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), afirmou nesta sexta-feira (24) que a criação de uma empresa estatal para extração e refino de terras raras é desnecessária, embora seja importante regulamentar o setor rapidamente.

“Não precisa de estatal para isso. Na nossa avaliação não há necessidade alguma de se criar uma estatal para se fazer a exploração, refino ou beneficiamento de mineral crítico”, afirmou Elias ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).

O ministro diz que, para impulsionar o setor, bastaria uma eventual participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nas empresas do segmento. “Já há instrumentos legais que permitem eventualmente a subvenção [e] o BNDES participar de uma empresa”, afirma.

A ideia de criação de uma estatal para extração de terras raras é defendida por parte do governo e pela bancada do PT na Câmara. Nesta quinta-feira (23), a bancada de deputados petistas reafirmou seu posicionameno favorável à criação da chamada Terrabras.

Elias diz que a posição contrária à criação da estatal é majoritária no governo e afirma esperar o ministério participe da regulação do tema, com outros órgãos -como ANM (Agência Nacional de Mineração), Ministério de Minas e Energia e Ministério da Defesa- devido à importância das terras raras para a indústria.

O relator do projeto que trata do tema na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), adiou a apresentação do texto a pedido do governo, disse Elias.

“O governo quer apresentar propostas que aperfeiçoem o dever de industrialização do mineral crítico”, disse, defendendo que a produção seja aproveitada na indústria nacional. “Nós não queremos ser um exportador de matéria-prima”.

O ministro ainda criticou a celebração de um acordo entre os Estados Unidos e o governo do estado de Goiás para exploração de minerais críticos no estado. A lei estadual que permitiu o acordo, disse, tem vício de constitucionalidade.

“O interesse nacional não pode ser gerido ou administrado localmente, senão nós vamos ter conflitos entre os próprios estados”, afirmou. “A lei é inconstitucional ou passível de declaração de inconstitucionalidade.”

Apesar das críticas, Elias minimizou o potencial do acordo. “Eu diria para você que [o acordo Goiás-EUA] também não vai trazer nenhuma obrigação”, disse. “É muito mais um memorando, sem nenhum comprometimento, nenhuma sanção. Ninguém vai poder ir a juízo exigir nenhum tipo de direito a partir de um documento dessa natureza”.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, o acordo de minerais críticos assinado em março pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, prevê que os americanos podem ter acesso exclusivo e confidencial ao mapeamento geológico do estado.

Segundo especialistas, o acordo dá às empresas dos EUA prioridade na busca pelos minerais e limita a possibilidade de o governo federal ter acesso a essas informações.

Na última segunda-feira (20), a empresa americana USA Rare Earth anunciou a compra da única mineradora de terras raras em atividade no Brasil, a Serra Verde, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões (R$ 13,8 bilhões).

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado