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Economia

Modelo pré-pago pode baratear acesso à banda larga no Brasil

Arquivo Geral

21/11/2011 17h30

Guilherme Lobão
globao@jornaldebrasilia.com.br

A banda larga no Brasil está no cerne da maior parte das iniciativas tecnológicas no País. Por ser muito lenta e cara, está entre as piores redes no mundo. Em evento realizado para a imprensa na Praia do Forte (BA), a empresa de desenvolvimento de processadores Intel apresentou casos de sucesso de implementação de um novo modelo de rede, de baixo custo, que pode ser uma das soluções para se aumentar o acesso à internet da população brasileira: a banda larga pré-paga. Até porque, no Brasil, o maior acesso em comunicação é via celular (227 milhões de usuários), a maior parte por celulares pré-pagos.

“No Sri-Lanka, o usuário paga somente pelo que usa. E isso fez com que dobrasse o número de acessos à banda larga em um ano”, constata o diretor de Expansão de Mercado da Intel Brasil, Fábio Tagnin, que também relata sucesso do modelo pré-pago na Indonésia e no Vietnã, países também muito atrasados em tecnologia. Segundo Tagnin, ainda não há nada de concreto para a adoção desta modalidade de acesso à banda larga no Brasil. “Mas estamos intermediando conversas tanto com o governo federal como com a iniciativa privada”, diz.

O processo de implementação deste sistema no país, no entanto, depende de políticas públicas e de ampliar o acesso das empresas privadas ao mercado. “O Brasil está em 60º lugar em uso de tecnologia. Estamos muito atrasados. E um dos pontos principais é a banda larga. Ela é cara, é concentrada e é lenta. Comparando a renda mensal per capita representa 4,58% do orçamento do indivíduo no Brasil contra 1,68% na Rússia e 0,5% nos países desenvolvidos. Pagamos cinco vezes mais que no Japão”, exemplifica.

O alto custo da comunicação móvel de um modo geral também agrava este cenário. “Chega a 42% só de tributos, sendo que a banda larga pode chegar a corresponder a 72% do custo da solução, ou seja, um PC com conxão à internet (com manutenção e tudo que envolve os gastos, desde a compra) fica 72% mais caro só por causa da banda”, comenta Tagnin. A Intel, como conselheira nestas negociações de banda larga com governo e empresas, defende que os tributos relativos a comunicação móvel deveriam ser investidos em infraestrutura, em
vez de ser usado como superávit primário.

Segundo o diretor de Mercado da Intel, nas próximas semanas devem surgir vários novos modelos de serviço de banda. Mas, com eles, vêm alguns entraves. “Tem barreiras regulamentárias, políticas, de tempo, de modelos de negócio. A gente, como empresa de tecnologia, quer que ela chegue a todo mundo. A tecnologia só vai estar onde tem rede. E a rede só vai estar onde tem tecnologia”, diz Tagnin.

EDUCAÇÃO

Para a Intel Brasil, um dos maiores interesses em se conseguir uma banda larga de baixo custo, da qual a pré-paga é uma das alternativas, é melhorar a qualidade do ensino no País. “Quando um país pensa em internet e em educação ao mesmo tempo, é porque está pensando em desenvolvimento. Está pensando na população que poderá efetivamente pagar por isso”, defende Tagnin.

Segundo o presidente da empresa no País, Fernando Martins, a adoção de banda larga nas escolas resolve o problema de infraestrutura, mas não da educaçao. “É preciso ter essas duas coisas. “Na área de educação nossa visão é clara. Entregar máquina para aluno e professor não é solução. Precisa-se colocar a tecnologia dentro da sala de aula de forma estruturada. Então estamos trabalhando no sentido da transformação da educação. Pegar um projeto, investir nele e acreditar. Educação começa por desenvolver um currículo para tecnologia. Muda a avaliação do aluno e o papel do professor”, pontua.

Saiba +

Até 2015, a previsão é de que a banda larga tenha alcance de 50% nos países desenvolvidos e de 15% nos menos desenvolvidos.

Até 2014, a expectativa é que haja 90 milhões de pontos de acesso à internet no Brasil, com 25% dos municípios com banda larga.

Para ser viável, a banda larga precisa ter custo menor a 5% da renda média (o que ainda é considerado um valor alto). Mas o ideal é que represente no máximo 3%.

No Brasil há um novo município com 3G por dia, à velocidade máxima de 1,7Mbps (concentrado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste)

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