CAIO SPECHOTO, MARIANA BRASIL E AUGUSTO TENÓRIO
FOLHAPRESS
O ministro da articulação política, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo estaria disposto a negociar um processo de transição para o fim da escala 6×1(seis dias de trabalho com um de descanso). O texto de autoria da equipe de Lula (PT) foi enviado ao Congresso na última terça (14).
“Se tem um debate, nós temos que estar abertos para discutir a transição. Eu acho que é possível discutir, mas isso quem vai dizer é o Congresso. Eu acho que não tem que ter mais desoneração. Pelo contrário, o país não suporta isso”, declarou.
“Fui o autor da lei que acabou com os tais incentivos, porque não tem país que sobreviva economicamente com o governo renunciando a quase R$ 1 trilhão. Então nós temos que fazer esses ajustes ainda”
Guimarães também comentou a não-aprovação do PL que regula o trabalho por aplicativo. De acordo com ele, a apreciação do projeto deverá ficar para depois das eleições deste ano.
“Por que que nós não votamos? Não tem acordo sobre nada. As plataformas não concordam, os entregadores também não. E gente, não é possível um negócio desse. Então como é que nós vamos votar? E a oposição está ali esperando o vacilo nosso para poder dizer que o PT, aliás, o governo, estaria prejudicando os trabalhadores por aplicativos. Não pode, não teve consenso nem na Câmara”, disse.
Na véspera, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que a intenção do governo era de que o fim da escala 6×1 fosse aplicado imediatamente após aprovação, em contraponto ao Congresso, que debate uma regra de transição em quatro anos para a mudança na jornada de trabalho.
Marinho também afirmou que a Câmara estava postergando a discussão do tema, o que fez o presidente optar por um projeto em regime de urgência.
“A proposta do governo é aplicação imediata [da nova escala de trabalho]. Evidente que o Congresso tem autonomia de qual é o projeto que vai aprovar”, declarou Marinho, que falou com jornalistas no Palácio do Planalto ao lado do também ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral).