Mantega disse que pretende conseguir uma data ainda mais próxima, embora os ministros de Finanças e Economia e presidentes de bancos centrais do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) já tenham antecipado em dois anos o ano de revisão do FMI, durante a reunião de hoje em Horsham, no sul da Inglaterra.
Na cúpula de novembro, em Washington, o grupo havia marcado esta revisão somente para 2013.
Em entrevista coletiva posterior ao encontro, o ministro da Fazenda considerou “um triunfo” a nova data de 2011, mas ressaltou achar necessário antecipá-la ainda mais, já que até lá “ou a crise terá acabado ou estaremos mortos”.
Mortos ou sem crise, o fato certo é que neste ano já terá se encerrado o atual Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pode se candidatar novamente, e, portanto, Mantega não tem como apostar em sua permanência no cargo até lá.
Da mesma forma que as demais economias emergentes do grupo conhecido como Bric (com Rússia, Índia e China), o Brasil condiciona a contribuição com dinheiro ao FMI a ter mais presença nesse órgão, atualmente dominado pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE).
Os países do Bric estão de acordo em aumentar os recursos para ajudar os países em desenvolvimento mais afetados pela crise, mas consideram que, nestas circunstâncias, o peso deve recair nas economias mais poderosas, sobretudo na dos EUA, país onde se originou o colapso do sistema financeiro -e cujo presidente, Barack Obama, recebeu Lula hoje na Casa Branca.
Mantega e o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, avaliaram positivamente o resultado da reunião de hoje, que fixou a agenda da cúpula de chefes de Estado e de Governo que acontecerá em Londres, em 2 de abril.
Segundo Meirelles, houve consenso sobre necessidade de atuar conjuntamente, tomando as medidas necessárias para sair da recessão, e “não houve grandes divergências” nem sequer no polêmico assunto dos incentivos fiscais, embora ele admita, há diferentes enfoques.
Washington e Londres são favoráveis a aumentar incentivos fiscais equivalentes para 2% do PIB global, medida à qual se opõem alguns países da União Europeia, liderados por Alemanha e França, que consideram que já comprometeram demais seus orçamentos.
Meirelles declarou-se contrário a fixar porcentagens concretas para estes incentivos, porque “cada país deve atuar segundo suas necessidades”.
Segundo ele, todos os países se declararam a favor de “aplicar políticas monetárias e tributárias expansivas”, mas ficou claro que “cada um deve decidir o que mais lhe convenha”.
Mantega afirmou que o Brasil ainda tem margem para aprovar incentivos fiscais, lembrando que o país já cortou imposto de renda e sobre vendas de automóveis, entre outros-, mas ressaltou que não tomará nenhuma medida que “comprometa o equilíbrio fiscal”.
Para o ministro, um dos pontos mais importantes para sair da crise é que os EUA e Europa “recapitalizem e saneiem (de ativos tóxicos) seus sistemas bancários”, já que isso daria garantias aos investidores, restabeleceria o crédito e devolveria a confiança aos mercados.
Mantega e Meirelles também insistiram em que se regule o sistema financeiro para torná-lo mais transparente.