O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que não existe consenso ainda no Grupo dos Vinte (G20, principais países ricos e emergentes) sobre o déficit e afirmou que a meta de reduzi-lo à metade para 2013 não é realista.
“É muito draconiana, um pouco difícil, um pouco exagerada”, disse Mantega, que representa o Brasil na cúpula de líderes do G20 que começa hoje em Toronto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua participação devido às inundações no nordeste.
Uma minuta do comunicado que o G20 deve divulgar amanhã no final de sua reunião menciona o objetivo de reduzir o déficit pela metade para 2013 e a estabilização da dívida como uma percentagem da produção total para 2016.
O ministro reconheceu que há acordo na necessidade de cortar o déficit e a dívida, mas apontou que a discussão sobre “quanto” permanece aberta.
Assinalou que o tema da dívida pública é igual ao do déficit, ao destacar a necessidade de ter “números e metas explícitas” e insistir, ao mesmo tempo, que “é importante que sejam factíveis, realizáveis”.
A velocidade, insistiu, não pode ser muito rápida, porque prejudicaria o crescimento.
Mencionou, nesse sentido, que o principal desafio nestes momentos para a economia global é “garantir a consolidação da recuperação” que pode se ver “ameaçada”, disse, pela “pressa na retirada dos estímulos”.
Assegurou querer deixar “claro” que o Brasil é “partidário” da consolidação fiscal e usou como exemplo o fato do país estar reduzindo o déficit e a dívida, mas disse que “a dose tem que ser correta” porque quando se exagera, pode-se “matar o paciente”.