O ministro da Fazenda, visit web Guido Mantega, chamou hoje de “saudável” a redução do saldo da balança comercial, que em setembro caiu pelo quarto mês consecutivo e levou o Governo a diminuir a meta deste ano.
“A economia está atendendo à demanda interna com importações. É saudável porque diminui a pressão sobre o real na medida em que reduz o saldo”, declarou Mantega em Brasília.
Na segunda-feira, o Ministério de Indústria e Comércio informou que a balança comercial ficou em US$ 3,471 bilhões em setembro, 22,3% a menos que no mesmo mês de 2006. Em agosto, o saldo positivo das importações e exportações já caíra 1,8%.
A diminuição do superávit foi associada a um forte aumento nas importações, equivalente a 31,9% em setembro se comparado com o mesmo mês de 2006.
Mantega afirmou que essa tendência não é preocupante e a atribuiu ao bom momento econômico do país.
“É natural esse movimento de adequação a um crescimento maior da economia”, afirmou.
O Ministério da Indústria e Comércio informou ontem que reduziu a projeção do superávit comercial em 2007 de US$ 46 bilhões para US$ 40 bilhões.
Em 2006, o superávit foi de US$ 46,5 bilhões, o mais alto na História.
“Não quer dizer que vamos eliminar o saldo comercial. Queremos manter um saldo comercial elevado, mas talvez não precisemos de um tão elevado”, disse Mantega.
A redução do saldo positivo nas contas de comércio está associada à alta das importações, estimuladas pelo dólar baixo, que caiu cerca de 15% só nos últimos 12 meses.
Para os críticos da política econômica, este auge nas importações baratas estaria eliminando postos de trabalho no Brasil enquanto o real forte faz as exportações brasileiras perderem competitividade.
Mantega afirmou que as exportações tiveram um comportamento melhor do que o esperado, com uma alta de 15,5% entre janeiro e setembro.
“Não há uma perda de impulso das exportações. Elas continuam crescendo”, disse o ministro.
De acordo com Mantega, o que acontece é que no mesmo período as importações aumentaram a um ritmo maior (28,3%). Segundo o ministro, o superávit comercial comparado com o volume do comércio total do país é proporcionalmente maior que o da China.
Entre janeiro e julho, esse saldo foi de US$ 23,942 bilhões, equivalentes a 15,9% do comércio total do país (importações e exportações). No mesmo período, a China teve superávit de US$ 150,724 bilhões, equivalentes a 11,7% do comércio total, comparou Mantega.