Mais da metade dos estudantes de graduação com filhos já precisou trancar a matrícula ou desistir do curso para dar conta dos cuidados com as crianças, segundo levantamento produzido por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC). O índice é de 54,4% na graduação e de 36,4% na pós-graduação.
O estudo ouviu mais de 7,4 mil pessoas e mostra que a maioria das participantes se declara mãe, com 86,5%, e busca concluir o ensino superior pela graduação. Nesse grupo, a média de idade é de 33 anos, a maior parte assiste às aulas presencialmente, no período noturno, e estuda em instituições públicas federais.
Entre os graduandos com filhos, o levantamento também identifica um perfil marcado por maior vulnerabilidade social. A maioria é solteira, negra, tem apenas um filho, vive com três pessoas e dispõe de renda de até um salário-mínimo. Além disso, 16,1% disseram viver sem nenhum rendimento e 14,5% recebem até meio salário-mínimo.
A alimentação das crianças aparece como uma das principais preocupações do grupo de trabalho. Mais da metade dos estudantes de graduação com filhos e de pós-graduação afirma que as crianças não têm direito à alimentação nos restaurantes universitários. Entre os que têm acesso, apenas 7,1% na graduação e 2,9% na pós-graduação disseram que o benefício é gratuito.
O estudo também aponta fragilidade na comunicação das instituições. Uma parcela relevante dos entrevistados disse não saber se os filhos têm direito ao benefício: 30,3% na graduação e 38% na pós-graduação.
Na rede de apoio, o suporte de familiares e amigos é o mais citado, por 43,3%. Já 32,9% afirmam enfrentar o dia a dia sozinhos, sem apoio de ninguém. Só 5,9% dizem ter condições de contratar serviços como babás, enquanto 7,5% recorrem a serviços públicos e menos de 1% conta com ajuda de ONGs ou projetos comunitários.
Na pós-graduação, o levantamento mostra um perfil socioeconômico diferente, com maioria branca, predominância de casados e melhores condições de renda em comparação com a graduação. Ainda assim, os pesquisadores apontam que a dificuldade de conciliar estudo e cuidado com os filhos permanece como um obstáculo relevante para a permanência desses estudantes no ensino superior.