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Economia

Lula volta a defender biocombustíveis ao abrir Feira de Hannover e reclama de regulação europeia

Durante a Hannover Messe, presidente afirma que produção agrícola brasileira não compromete segurança alimentar e rebate limites ao biodiesel

Redação Jornal de Brasília

20/04/2026 13h11

lula feira de hannover

Foto: Ronny Hartmann/AFP

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
FOLHAPRESS

“Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina. As pessoas comem comida.” Em seu segundo dia na Alemanha, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o biocombustível brasileiro na Feira Industrial de Hannover, nesta segunda-feira (20), a maior do gênero no planeta. O Brasil é o país convidado da 79ª edição do evento.

Na abertura do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, Lula defendeu que a agricultura brasileira é avançada o suficiente para evitar qualquer risco à segurança alimentar, uma das preocupações europeias, junto com a questão ambiental.

O presidente reclamou da regulação da União Europeia sobre biocombustíveis, que chegou a classificar como “ideológica”.

A UE limita, por exemplo, o uso de biocombustíveis à base de culturas alimentares. Uma revisão em discussão caminha para colocar o biocombustível de soja na categoria de óleo de palma, tornando legalmente impossível que o produto chegue às bombas do bloco a partir de 2030. O lobby brasileiro tenta evitar essa possibilidade.

“A União Europeia espera chegar a 50% de renováveis em sua matriz em 2050. O Brasil já cumpriu essa meta em 2025”, disse Lula, repetindo fala da véspera sobre a “trajetória pioneira” do país no setor nos anos 1970.

“Hoje, na Feira de Hannover, vimos na prática a força do biocombustível brasileiro. Foi uma pena que o primeiro-ministro não pôde visitar o caminhão”, disse Lula, brincando com o fato de ter subido em um modelo fabricado no Brasil após os discursos iniciais dele e de seu anfitrião, Friedrich Merz, no pavilhão 12 da Hannover Messe.

Um passeio dos dois pelo gigantesco complexo que abriga a feira, na região central da Alemanha, estava previsto na programação, mas não ocorreu. Lula chegou cerca de meia hora atrasado ao local. Merz agradeceu o empenho do presidente em preservar a Amazônia. “Respeitamos profundamente a forma como o senhor lida com esse valioso tesouro da humanidade.”

Também agradeceu pelo papel desempenhado por Lula na COP30, em Belém, no ano passado, mas sem fazer referência a seu comentário polêmico sobre a cidade que viralizou nas redes sociais. “Estamos felizes por você estar aqui.”

Merz se mostrou bastante inclinado em estudar o “interessante modelo do Brasil”. “ão deveríamos descartar tecnologias que vão se tornar relevantes daqui a 30 anos. Temos mais de um bilhão de veículos que continuarão rodando. não vai dar para resolver isso só com carro elétrico.”

Disse também que a política energética da Alemanha não deveria trabalhar uma única opção para o futuro. “Tenho grande respeito pela abordagem do Brasil nesse campo.”

O premiê alemão voltou a festejar a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul, “em uma época de grandes mudanças geopolíticas e geoeconômicas”. Foi o mais longe que chegou sobre o momento político mundial, ao contrário de Lula, que voltou a fazer referência à guerra no Irã protagonizada por EUA e Israel.

A “maluquice”, do dia anterior, deu lugar a uma crítica mais geral sobre revolução digital, que “está induzindo a humanidade a ter um comportamento totalmente diferente daquilo para o qual os seres humanos foram criados”, e fake news. “O mundo não pode ser dirigido por alguém que pensa que é mais importante do que os outros, que impõe decisões, como se o mundo não existisse democraticamente.”

Depois dos discursos, Lula causou um alvoroço sem precedentes, segundo os organizadores, entre expositores, visitantes e jornalistas ao dedicar paradas de minutos em alguns dos principais estandes do pavilhão brasileiro, que neste ano, por conta da homenagem, alcança a marca recorde de 140 empresas e startups.

Além de subir em um caminhão Mercedes desenvolvido pela Be8, entrou em uma representação do carro aéreo desenvolvido pela Embraer. Passou também pela Volkswagen do Brasil, Weg, Vale e no estande do Senai.

“O Brasil é um país que quer se transformar em uma economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre.”

Lula ainda faria uma visita privada à sede da Volkswagen, em Wolfsburg, nesta segunda-feira (20).
A visita à Europa, que começou em Barcelona, na semana passada, se encerra nesta terça, com uma escala em Lisboa.

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