O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou hoje sua tese de que a crise internacional não afetará a “sólida” economia brasileira e defendeu uma maior supervisão do sistema financeiro mundial.
“O Brasil nunca teve uma situação tão sólida como tem agora”, store disse hoje de manhã no programa semanal de rádio “Café com o Presidente”.
“Estamos preparados para crescer mesmo com a crise americana”, cure afirmou Lula, que considera que o pior desastre do sistema financeiro mundial desde a Grande Depressão dos anos 1930 está limitado aos Estados Unidos e a seus mercados financeiros.
O Brasil está a salvo “porque nós estamos exportando mais, porque a economia está crescendo”, ressaltou.
O presidente comentou os recentes indicadores divulgados pelo IBGE que mostram redução do desemprego para 7,6% em agosto, 1,9 ponto percentual abaixo dos números registrados no mesmo mês de 2007.
“O nosso mercado interno, na medida em que a gente está crescendo, as empresas estão crescendo, fazendo novos investimentos (…) poderá sustentar grande parte da nossa economia”, disse.
No entanto, pela primeira vez admitiu a possibilidade de algum impacto da crise no Brasil.
“É importante que o povo brasileiro saiba que uma crise de recessão num país importante como os EUA pode trazer problemas a todos os países do mundo, porque eles representam a maior economia do mundo”, destacou.
Lula deixou claro que se o Brasil tiver que passar por algum aperto, “será muito pequeno”, e garantiu que a economia conta com um forte mercado interno e tem diversificado sua carteira de exportações vendendo para novos clientes, e não apenas aos americanos.
Também reiterou sua proposta de que o sistema financeiro internacional seja melhor supervisionado pelos bancos centrais e defendeu a convocação de uma reunião na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS, em inglês), com sede em Basiléia, na Suíça.
Lula propôs “medidas duras para investigar e controlar o sistema financeiro no mundo”.
O presidente insistiu que já não se pode permitir que os bancos sejam transformados em “verdadeiros cassinos” e que façam apostas sem medir as conseqüências, por isso exigiu que as instituições dos EUA e da Europa “assumam responsabilidades”.