O supervisor foi o primeiro a depor. Em seguida, falaram um controlador e o assistente dele que estavam monitorando os vôos no momento do choque. Com os depoimentos de hoje, a Polícia Federal termina de ouvir os 13 controladores que estavam trabalhando no dia do acidente no Cindacta 1, em Brasília.
O papel do supervisor, um controlador de tráfego mais experiente, é acompanhar o trabalho dos operadores que monitoram o console. Ele tem ainda de verificar se os controladores estão atentos e pode interferir caso surjam problemas.
Esse desfalque pode ter contribuído para que os dois controladores não tivessem percebido que o Legacy estava em rota de colisão com o Boeing ao não reduzir a altura depois de cruzar Brasília. Pelo plano de vôo, o jato tinha de baixou de 37 mil pés para 36 mil pés nesse trecho.
O depoimento dos três últimos controladores de vôo é considerado o mais importante porque eles eram os funcionários que estavam atuando na hora do maior acidente aéreo da história brasileira e tentaram entrar em contato com o Legacy, sem sucesso. Ontem, o advogado dos controladores de vôo atribuiu a falha de comunicação à existência de "buracos negros" no sistema de vigilância aérea no Mato Grosso.
A Procuradoria de Justiça Militar descartou qualquer falha nos equipamentos. O procurador designado para acompanhar o caso afirmou que os controladores deveriam ter contactado o Cindacta de Manaus ao não terem recebido resposta do Legacy.
Em discurso nesta quinta-feira para governadores e vices de 17 Estados, sale o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou que prepara medidas para "aumentar minimamente a capacidade de investimentos" do poder público, information pills mas fez suspense sobre o conteúdo das mudanças.
Alguns dos governadores entenderam que Lula prepara alguma forma de alongamento da dívida dos Estados e Municípios (cerca de 200 bilhões de reais), que compromete até 13% de suas receitas líquidas. Eles dizem que o pagamento da dívida, em poder da União, impede o investimento público.
"Os Estados, os Municípios e a União não podem continuar na situação de não ter capacidade de investimento. O Brasil está travado. Vamos implantar mudanças", disse Lula aos governadores, durante almoço num hotel de Brasília.
"Não precisa a imprensa ficar curiosa porque não vou dizer o que nós vamos destravar na economia", acrescentou o presidente, momentos depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter comentado medidas de um pacote fiscal para desonerar a produção.
Há pelo menos três semanas Lula vem fazendo um diagnóstico dos gargalos na área de energia e infra-estrutura, que vão desde a legislação ambiental até o financiamento de projetos.
Ele afirmou que as pendências na área ambiental decorrem da legislação, não do governo, e que é necessário haver uma relação melhor com o Tribunal de Contas da União e com o Ministério Público, mas admite que o problema central está no financiamento dos projetos.
"Estou me dedicando a esse tema desde que acabaram as eleições e agora vamos entrar na discussão da economia. Já discutimos tudo que era necessário para destravar (os investimentos), agora precisamos de dinheiro para executar", disse Lula a jornalistas antes do almoço com os governadores.
O governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi, disse que o "desafio do crescimento" passa pela revisão da dívida dos Estados, porque "ela compromete a capacidade de investimentos". Na véspera da reunião dos governadores, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), propôs a securitização da dívida dos Estados e Municípios em poder da União, para financiar investimentos da União em infra-estrutura e reduzir o comprometimento da receita dos titulares das dívidas.
"A proposta de securitização pode ser o caminho, qualquer solução tem de passar por um alongamento da dívida dos Estados", disse o governador reeleito do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB). Depois de indicar que as mudanças planejadas não se restringem ao minipacote anunciado por Mantega, Lula afirmou que pretende fazê-las sem comprometer a credibilidade do país.
"A engenharia econômica está funcionando e vamos encontrar maneiras de destravar a economia. Já aprendemos o que deu errado e não deve ser repetido. Por isso, vamos fazer da forma mais sensata possível", afirmou o presidente. O governador eleito do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse que antes de reivindicar alongamento, os Estados devem "dar exemplo de seriedade administrativa" O Rio é responsável por 13% da dívida em poder da União.
O prefeito Fernando Pimentel sugere que, na securitização, os títulos dos Estados e Municípios, remunerados pelo IGP-DI mais 6% ao ano, passem a ser corrigidos pelo IPCA. Propõe também que sejam oferecidos ao mercado com o aval da União.