O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em entrevista nesta terça-feira (14/4) no Palácio do Planalto, que o governo incluirá as dívidas relativas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em um pacote de medidas para combater o endividamento no país.
Lula destacou que as discussões estão em andamento e prometeu uma resposta sólida. “Vai ter coisa boa. Nós estamos pensando em vários setores. É um trabalho meticuloso. Exige muita seriedade”, disse o presidente. Ele mencionou que, embora o Fies não tenha sido discutido inicialmente, será incluído para aliviar a conta de quem financiou estudos e enfrenta dificuldades para pagar.
Sobre os combustíveis, indagado sobre os impactos da guerra no Irã, Lula criticou a privatização da BR Distribuidora pelo governo anterior. Ele argumentou que a venda foi equivocada e limita as ações do atual governo para mitigar os efeitos do conflito no Oriente Médio nos preços brasileiros.
“Nós isentamos PIS e Cofins dos impostos do óleo diesel. Nós fizemos um acordo com os governos dos estados e estamos dando uma subvenção: eles abrem mão de uma parte dos ICMS e nós estamos dando subvenção de outra parte”, explicou Lula. Ele enfatizou que, se a BR estivesse sob controle estatal, os preços poderiam ser gerenciados de forma mais eficaz, evitando repasses para o consumidor final, como no preço do feijão, da salada, do pão e no tanque de caminhoneiros autônomos. A readquirição da empresa só seria possível a partir de 2029, conforme o acordo de privatização.
Ao analisar a economia brasileira, Lula expressou otimismo quanto ao potencial do país. “O Brasil pode estar entre as quatro ou cinco economias do mundo”, afirmou. Ele apontou o potencial de minerais críticos, terras raras e a transição energética como fatores para um salto de qualidade.
Além disso, o presidente destacou o papel do Brasil como celeiro do mundo, com potencial exuberante na agropecuária. Dados recentes do IBGE indicam que o PIB brasileiro atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado, impulsionado pelo setor agropecuário. A expansão de 2,3% em 2025 posiciona o Brasil em sexto lugar no ranking de crescimento do G20, atrás da Índia (7,5%) e à frente dos Estados Unidos (2,2%).
*Com informações do Planalto