Brasília, 22 – Os recursos que serão liberados pelo Brasil Soberano 3 serão destinados a diferentes modalidades de financiamento, com taxas que variam de 3% a 9,8% ao ano, conforme o porte da empresa e a finalidade do crédito. Os valores serão liberados gradualmente, na medida em que houver definição pelo comitê gestor do plano dos valores reservados a cada uma das linhas de financiamento. A medida provisória (MP) com as diretrizes do programa foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem.
Em discurso, Lula afirmou que o País tem condições de “sair mais fortalecido dessa crise” com os EUA e citou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) como exemplo “de que a gente não vai ficar lamentando o fato de alguém querer nos prejudicar com taxação”. “Não há crise que impeça o Brasil de seguir a sua trajetória de continuar com a economia crescendo.”
Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil Soberano 3 está pronto para possíveis novas tarifas. É esperada para esta semana a confirmação de uma sobretaxa adicional de 12,5%, anunciada pelo governo americano, mas ainda não confirmada, a ser aplicada a países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
O titular do Mdic afirmou que o governo brasileiro seguirá trabalhando na diversificação dos mercados. “Esse é um caminho sem volta”, ressaltou. “Podem impor tarifas, podem criar dificuldades, porque o Brasil é mais forte. Nossa economia é ainda mais resiliente, nós sabemos para onde queremos ir.”
QUEIXA
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que considera todas as tarifas aplicadas pelos EUA “injustas e injustificadas”, tanto as oriundas da investigação da Seção 301, sobre suposta concorrência desleal, quanto a que apontou falha do Brasil em proibir a importação de produtos produzidos com trabalho forçado.
“Aqui não se trata de fazer um programa que já está pronto e acabado. Nós estamos movendo os setores e fazendo sob medida essas respostas com até R$ 13,5 bilhões do Tesouro, mais um complemento de fonte própria do BNDES, mas avaliando a necessidade de maneira bastante pontual e proporcional”, disse Durigan. A regulamentação, segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, será feita no “curtíssimo prazo”.
Estadão Conteúdo