Rio e São Paulo, 26 – O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial no País, registrou em agosto queda de 0,4%, a primeira variação negativa do ano, segundo divulgou ontem o IBGE No acumulado em 12 meses, o índice recuou a 4,24%, abaixo dos 4,52% acumulados até julho e do teto da meta de inflação, de 4,5%. O IPCA-15 havia registrado deflação pela última vez em agosto de 2025, de -0,14%.
O índice foi puxado para baixo principalmente pelo efeito do bônus de Itaipu – uma forma de devolver aos consumidores o dinheiro que sobra da operação da usina hidrelétrica binacional -, que fez a conta de luz ter queda de 6,25% no período entre meados de julho e meados deste mês. O recuo na energia elétrica fez com que o grupo Habitação caísse 1,41% no período, a maior queda entre os grupos que compõem o IPCA-15.
Os dados do IBGE também mostram que o grupo Transportes teve queda de 1% em agosto, com recuos nas passagens aéreas (-13,3%) e nos combustíveis (-1,43%). Foram registradas ainda quedas no etanol (-3,63%), na gasolina (-1,23%) e no óleo diesel (-0,71%), enquanto o gás veicular aumentou 1,42%.
Embora o índice tenha perdido força pelo terceiro mês seguido, a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, observa que a composição do indicador exige atenção. “Apesar do alívio no índice cheio, seus núcleos seguem pressionados, o que ajuda a explicar por que levar a inflação de volta para a meta segue sendo um desafio”, disse a economista, que mantém a projeção de 5% para a inflação no ano.
O grupo Alimentação e Bebidas também teve deflação, de 0,57% em agosto, com a redução de 0,97% na alimentação no domicílio, com destaque para as quedas do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%).
Estadão Conteúdo