Rio, 27 – Com a ajuda da redução nos custos da conta de luz e das passagens aéreas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial no País, desacelerou de 0,25% em dezembro para 0,20% em janeiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado, de 0,23% captadas pelo Projeções Broadcast. A taxa de inflação acumulada em 12 meses, no entanto, voltou a acelerar após três meses consecutivos de arrefecimento: de 4,41% em dezembro para 4,5% neste mês.
CONTA DE LUZ
A energia elétrica residencial recuou 2,91% em janeiro, resultando no maior alívio individual no IPCA-15 deste mês, de -0,12 ponto porcentual. “Em dezembro estava em vigor a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Já em janeiro, a bandeira vigente é a verde, sem custo adicional para os consumidores”, lembrou o IBGE.
As passagens aéreas caíram 8,92%, segundo maior impacto individual negativo no índice do mês, -0,07 ponto porcentual. O ônibus urbano teve recuo de 2,79%, impacto de -0,03 ponto porcentual no IPCA-15. Apesar dos reajustes anunciados nas tarifas em diversas regiões, a queda na média geral foi puxada pela implementação de gratuidades aos domingos e feriados em locais como Belo Horizonte e São Paulo. Por outro lado, o metrô subiu 2,52% em janeiro, o trem aumentou 2,43%, e o táxi avançou 0,42%.
Os dados favoráveis deste mês não mudam a expectativa dominante no mercado de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa básica de juros, a Selic, nos atuais 15% ao ano, na reunião desta quarta-feira.
“Acreditamos que o ciclo de cortes deve começar em março, com os juros chegando a 13% no fim do ano”, disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, em comentário. “A melhora da inflação vista nos últimos meses foi puxada pela queda dos preços das commodities em reais, que contribuiu para aliviar a pressão sobre os alimentos e bens industriais. Para 2026 e 2027, porém, nossa projeção é de um IPCA a 4,8%, impulsionado pelo mercado de trabalho forte e pela perspectiva de desvalorização do real, em meio às preocupações com o aumento da dívida pública no Brasil.”
Estadão Conteúdo