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Economia

Investidores estrangeiros retiram R$ 2,8 bi da Bolsa na 2ª feira após eleição de Lula

Saída de recursos na última sexta-feira foi a maior desde 11 de agosto, quando investidores estrangeiros retiraram R$ 4,7 bilhões

Redação Jornal de Brasília

28/10/2026 18h05

bolsa brasileira

Foto: Nelson Almeida/AFP

MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS

Investidores estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da Bolsa brasileira na segunda-feira (26), após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais.

Apesar de expressivo, o valor ficou um pouco abaixo do registrado na sexta-feira (23), quando o saldo foi negativo em R$ 2,9 bilhões, segundo dados da plataforma Dados de Mercado, que monitora diariamente o fluxo de capital de estrangeiros, investidores institucionais e pessoas físicas na B3.

Segundo a plataforma, a saída de recursos na última sexta-feira foi a maior desde 11 de agosto, quando investidores estrangeiros retiraram R$ 4,7 bilhões. Naquele dia, o mercado foi impactado pela ata do Copom, que defendeu a manutenção de juros elevados, e por uma pesquisa eleitoral que mostrava Lula 11 pontos à frente de Flávio Bolsonaro.

No mês e no ano, contudo, o saldo dos investidores estrangeiros continua positivo. Segundo dados da B3, o volume de entradas supera o de saídas em R$ 13,3 bilhões neste mês. No acumulado de 2026, o saldo é positivo em R$ 45,4 bilhões.

Para Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, o movimento indica uma redução de posições por investidores estrangeiros, iniciada na sexta-feira, diante do temor de exposição às eleições.

“Analisando os volumes de negociação de sexta-feira e segunda-feira, identifico um desmonte do trade eleitoral por parte do investidor estrangeiro, que optou por não se expor pela incerteza. O desmonte de segunda-feira ocorreu porque o cenário projetado [de alternância] não se confirmou”, afirma.

No Datafolha de quinta-feira (22), Lula e o senador apareciam empatados, com 50% dos votos válidos cada um. O presidente teve 51,79% dos votos válidos no segundo turno da disputa, contra 48,21% do senador pelo PL do Rio.

Para Praça, as pesquisas ajudam a explicar o movimento. “O volume expressivo é um desmonte natural de uma parcela que prefere não ter exposição”.

Na segunda-feira, a Bolsa teve forte queda e encerrou o pregão em baixa de 13,88%, aos 176.608 pontos. Foi a maior desvalorização diária desde 16 de março de 2020, quando os impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia global ainda eram discutidos. A magnitude do recuo levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos bruscos de queda.

O movimento negativo também atingiu outros ativos domésticos. O dólar registrou a maior valorização diária desde 1999, e os juros futuros dispararam mais de 250 pontos-base.

“As movimentações devem seguir com bastante amplitude nos próximos dias, apesar de o saldo dos investidores estrangeiros ser bastante positivo. O mercado deve continuar no limbo enquanto se espera uma definição da equipe pelo governo”, diz Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos.

A reação negativa dos ativos brasileiros reverteu parte da valorização registrada nas semanas anteriores à eleição, quando investidores apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e na adoção de medidas mais rigorosas de ajuste fiscal. No pregão após o primeiro turno, investidores estrangeiros aportaram R$ 10,6 bilhões na Bolsa brasileira.

A vitória de Lula aumentou o receio de investidores de que o governo não adote medidas suficientes para equilibrar as contas públicas. A expectativa de continuidade de uma política fiscal expansionista tende a elevar o prêmio de risco exigido pelo mercado para financiar o governo, pressionando os juros futuros.

Taxas mais altas, por sua vez, encarecem o crédito para empresas e consumidores e podem reduzir as perspectivas de lucro das companhias, prejudicando o desempenho da Bolsa.

A preocupação com o cenário fiscal também apareceu nos relatórios de instituições financeiras. O J.P.
Morgan rebaixou a recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros de overweight (exposição acima da média do mercado) para marketweight (exposição em linha com a média do mercado) após a vitória de Lula.

O Citi também reduziu a recomendação de exposição a ações brasileiras, antes acima da média do mercado, enquanto a BCA Research rebaixou a avaliação do Brasil em relação aos mercados emergentes.

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