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Interesse de empresas em fazer negócios com o Brasil recua, diz PwC

Desde 2013, o Brasil caiu sete posições no ranking que avalia a importância de um país como mercado estratégico para os CEOs globais

Por FolhaPress 17/01/2022 12h53
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Eduardo Cucolo

O interesse dos presidentes de empresas globais em fazer negócios com o Brasil recuou no ano passado, de acordo com a 25ª edição da pesquisa CEO Survey, realizada pela empresa de consultoria e auditoria PwC em 89 países, com 4.446 executivos, em outubro e novembro de 2021.

Desde 2013, o Brasil caiu sete posições no ranking que avalia a importância de um país como mercado estratégico para os CEOs globais, segundo a PwC.

O país aparecia como terceiro colocado de 2011 a 2013. Já havia recuado para oitavo em 2021 e aparece na divulgação deste ano na décima posição. O Brasil é citado por apenas 4% dos entrevistados, ante 5% no levantamento anterior.

Austrália e Canadá passaram à frente do país neste ano, se juntando a EUA, China, Alemanha, Reino Unido, Índia, Japão e França como países mais atrativos. Segundo a PwC, Argentina, Uruguai, Venezuela e Colômbia são agora os países com mais interesse no mercado brasileiro.

Por outro lado, o país perdeu importância para Peru, EUA e México em relação ao ano anterior. O Brasil foi citado por 6% dos executivos de empresas nos EUA, ante 9% um ano antes. A pesquisa também mostra que a instabilidade econômica e a desigualdade social estão entre as maiores preocupações dos presidentes de companhias que atuam no Brasil, enquanto os executivos em todo o mundo estão mais preocupados com riscos cibernéticos e relacionados à saúde.

Em relação às ameaças aos seus negócios, os brasileiros destacam como maior preocupação a instabilidade macroeconômica (citada por 69% dos entrevistados), com seus potenciais impactos em vendas e na capacidade de levantar capital.

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Em seguida, aparecem os riscos cibernéticos (50%), a desigualdade social (38%) e as mudanças climáticas (36%). Apenas 32% citaram riscos à saúde. Globalmente, os executivos estão mais preocupados com riscos cibernéticos e à saúde, apontados por 49% e 48% dos participantes, respectivamente.

Marco Castro, sócio presidente da PwC Brasil, afirma que houve uma mudança em relação à pesquisa anterior, quando as principais preocupações para os brasileiros estavam relacionadas a questões tributárias, políticas e à crise sanitária.
“Isso mostra uma mudança interessante na agenda. Quando a gente fala da instabilidade econômica, era natural que isso aparecesse como uma preocupação dos CEOs brasileiros”, afirma.

Castro destaca também a preocupação com proteção cibernética, citando um levantamento feito no Brasil que mostra que esses gastos serão significativamente elevados em 2022. “Provavelmente é o mesmo dado que teríamos se tivéssemos feito a pesquisa globalmente, pois também é uma grande preocupação lá fora.”

A pesquisa com executivos mostra ainda que o otimismo dos presidentes de empresas que atuam no Brasil em relação à economia diminuiu, mas permanece elevado: 77% dos líderes brasileiros e globais ouvidos acreditam que o crescimento econômico global vai se acelerar nos próximos 12 meses.

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Globalmente, houve estabilidade em relação à pesquisa anterior. Em relação ao Brasil, houve queda, ante 85% da pesquisa anterior. Para 6% dos brasileiros, a economia permanecerá estável, e 17% acreditam que a economia global deve se contrair, resultados próximos da média mundial (7% e 15%, respectivamente).

A pesquisa mostra que 63% dos executivos brasileiros esperam aumento da receita de suas empresas, acima do percentual global de 56%. No Brasil, os segmentos mais otimistas são o agronegócio (74%), empresas de consumo (68%) e de tecnologia, mídia e telecomunicações (67%).

No mundo, se destacam empresas de private equity (67%), tecnologia (64%) e setores imobiliário, de seguros e farmacêuticas, os três com 63%. “Isso está muito vinculado ao fato de que globalmente as economias estão de fato retomando suas atividades. A gente nota uma tendência de reinvestimentos e de novos programas. Quando a gente fala desse modelo híbrido, que parece que vai ser prevalente em todas as economias desenvolvidas, isso requer muito investimento tecnológico e revisão nas operações das organizações”, afirma o sócio presidente da PwC Brasil.

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