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Economia

Inflação medida pelo IGP-M em 12 meses pode ficar em um dígito, avalia FGV

Agência Estado

29/09/2016 17h18

Atualizada

A tendência da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em 12 meses é continuar a desacelerar, podendo abandonar os dois dígitos em outubro. A avaliação é de Salomão Quadros, superintendente adjunto para Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), feita ao comentar o dado de setembro, divulgado na manhã desta quinta-feira, 29. <p><p>O IGP-M de setembro acelerou para 0,20%, após 0,15% em agosto. Trata-se do terceiro mês seguido que a taxa fica nessa faixa. Já a variação acumulada em 12 meses até setembro foi de 10,66%. A última vez que a taxa esteve abaixo dos dois dígitos foi em setembro de 2015, quando marcou 8,35%.<p><p>Na avaliação de Quadros, três fatores devem contribuir para a acomodação do IGP-M mensal: ausência de pressão forte gerada pelo dólar, expectativa de grandes safras de commodities agrícolas no mercado internacional, principalmente de soja e de milho, e o fim da influência negativa do fenômeno climático El Niño. "O IGP-M deve continuar nessa trajetória estável com pequenas oscilações", disse. "Já tivemos três taxas próximas de 0,20%", destacou. <p><p>No IGP-M de setembro, com 60% do peso no índice, o avanço do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve maior contribuição para o resultado total. Dentro do IPA, o grupo que mais gerou pressão para cima foi o de matérias-primas brutas, com destaque para o minério de ferro e para a soja. <p><p>Quadros, no entanto, não demonstra preocupação com esses itens. Segundo ele, o minério de ferro vai continuar oscilando, conforme a atividade econômica da China, que demanda bastante o material. Sobre a soja, a desaceleração do ritmo de queda para 0,02% em setembro reflete uma recuperação dos níveis normais de preço, após a diminuição das incertezas sobre a colheita nos Estados Unidos, e deve, agora, mostrar estabilidade. <p><p>A boa safra da soja, do trigo (queda de 8,14% em setembro) e do milho (recuo de 6,43% no mês) é um sinal de que a inflação dos alimentos deve continuar arrefecendo nos próximos meses, afirmou Quadros. "O cenário de commodities agrícolas sustenta desaceleração da inflação de alimentos. Quando cair na cesta do consumidor, o pão e o macarrão, ela vai vir mais barata ou pelo menos com uma maior desaceleração nos preços."<p><p>Também contribui para o prognóstico positivo dos preços dos alimentos o resultado dos alimentos in natura, como a batata inglesa, que aprofundou a queda nesse mês, mamão e ovos. "Esses itens indicam que a inflação de alimentos não deve ter mais um impacto explosivo", disse Quadros.<p> <p>Ele fez um alerta, no entanto, em relação à carne bovina, que apresentou alta de 4,97% no atacado em setembro. Segundo ele, "com a recuperação da economia, o preço pode se elevar ainda mais".<p><p>No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que desacelerou de 0,40% para 0,16% entre agosto e setembro, a principal contribuição para baixo veio do grupo Alimentação, com destaque para laticínios (-1,39%). Quadros comentou que a perda de força deve ser mais forte nos próximos meses, já que os alimentos in natura, em queda no IPA, ainda não manifestaram recuo forte no IPC. <p><p>Os combustíveis também impactaram em baixa o IPC, com queda da gasolina (-1,13%) e do etanol (-0,59%). Em contrapartida, a tarifa de energia elétrica contribuiu para cima, mas, segundo Quadros, o movimento é só uma normalização dos preços, após queda forte. Na parte de Vestuário, que também acelerou, o impacto foi sazonal, afirmou o economista, e não há motivo para preocupação.<p><p>Com relação ao Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), a aceleração de 0,26% para 0,37% também reflete um cenário pontual de reajuste de salários anual da mão de obra. Segundo Quadros, esse indicador deve continuar relativamente estável, visto que o setor de construção ainda deve demorar a se recuperar. <br /><br /><b>Fonte: </b>Estadao Conteudo

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