A indústria brasileira está diminuindo a produção, aponta uma pesquisa do sindicato da categoria divulgada nesta terça-feira (25), que mostra arrefecimento nas linhas de montagem, na demanda e nas expectativas para os próximos meses.
A pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a produção do setor caiu 6,3 pontos em setembro na comparação com o mesmo mês anterior, estabilizando aos 48,6 pontos, em uma escala de zero a 100, o que indica uma tendência negativa.
Na opinião da entidade, os dados são especialmente preocupantes porque nesta época do ano o normal é aumento da atividade para atender a demanda das vendas de Natal.
A pesquisa da CNI está em linha com os dados oficiais, que indicam que a produção industrial cresceu 1,4% entre janeiro e agosto, mas agora desacelera paulatinamente.
A queda se refletiu em recuos no uso da capacidade instalada em 22 dos 26 subsetores, com quedas agudas na borracha e nos fabricantes de veículos, um dos pilares da economia brasileira.
Na visão da confederação, os problemas se devem à crise mundial, a perda de competitividade dos produtos brasileiros pela valorização do real nos últimos anos e às dificuldades de acesso ao crédito, fator que afeta especialmente às grandes empresas.
A fraca demanda representa um problema para os industriais, que continuam com reservas elevadas, especialmente nos setores de equipamentos para o transporte, têxteis, automóveis, maquinaria elétrica, metalurgia, calçado e celulose.
O otimismo dos industriais para o próximo semestre recuou ao menor nível deste ano, 56,1 pontos, e as perspectivas já são notavelmente pessimistas para setores como o de automóveis, metalurgia básica e o de maquinaria elétrica.
O melhor dado da pesquisa é o emprego, que se manteve estável em setembro e continuará sem alteração nos próximos meses, já que não estão previstas demissões.
Para pesquisa foram ouvidos 1.737 empresários em todo o país entre os dias 3 e 18 de outubro.