FOLHAPRESS
A parcela de empréstimos em atraso no crédito livre -que inclui modalidades como cartão, crédito pessoal e financiamento de veículos- atingiu 6,4% em julho, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011. Entre as pessoas físicas, a inadimplência nesse segmento chegou a 7,8%.
O avanço dos atrasos ocorreu mesmo com uma queda dos juros médios cobrados nesse tipo de crédito.
A taxa média ficou em 47,7% ao ano em julho, 2 pontos percentuais abaixo do registrado no mês anterior, embora permanecesse 1,8 ponto acima do nível de um ano antes.
No conjunto de todas as operações de crédito do sistema financeiro, a inadimplência chegou a 4,9% em julho, alta de 0,3 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto em 12 meses, informou o Banco Central nesta sexta-feira (28).
Entre as famílias, o percentual de empréstimos em atraso subiu 0,4 ponto no mês, para 5,8%. Entre as empresas, avançou 0,1 ponto, para 3,3%.
O aumento foi maior nas operações com recursos livres, aquelas em que bancos e clientes negociam livremente as condições do empréstimo. Nesse segmento, a inadimplência subiu 0,4 ponto percentual em julho e 0,9 ponto em 12 meses, alcançando 6,4% do total da carteira.
Entre as pessoas físicas, o índice chegou a 7,8%, após alta de 0,4 ponto no mês e de 1,1 ponto em 12 meses. Nas empresas, a inadimplência ficou em 4,2%.
O estoque total de crédito concedido pelo sistema financeiro alcançou R$ 7,4 trilhões em julho, com alta de 0,3% no mês. O crédito às pessoas físicas cresceu 0,8%, para R$ 4,6 trilhões, enquanto o destinado às empresas recuou 0,7%, para R$ 2,7 trilhões.
Em 12 meses, o volume total de crédito aumentou 9,5%. O crescimento foi mais forte entre as famílias, cujo estoque de empréstimos avançou 10,8%, contra alta de 7,4% nas operações com empresas.
No crédito livre, o saldo das operações somou R$ 4,2 trilhões em julho, com queda de 0,1% no mês e alta de 7% em 12 meses.
Entre as pessoas físicas, o crédito livre cresceu 1% no mês e 10,8% em um ano, impulsionado principalmente pelas operações com cartão de crédito à vista, consignado para trabalhadores do setor privado e financiamento para aquisição de veículos.
As concessões de crédito, por sua vez, ficaram praticamente estáveis no mês, segundo dados ajustados sazonalmente. Houve queda de 0,3% nas novas operações com empresas e alta de 0,3% nas destinadas às famílias.
A taxa média de juros de todas as novas operações de crédito ficou em 32,1% ao ano em julho, queda de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Nas operações com recursos livres, os juros médios recuaram para 47,7% ao ano. Para pessoas físicas, porém, a taxa continuou muito mais elevada: 60% ao ano, apesar da queda de 3,9 pontos percentuais no mês.
Já o spread bancário -a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes- caiu de 35,7 para 33,8 pontos percentuais nas operações com recursos livres.
Em junho, dado mais recente disponível, o endividamento das famílias ficou em 49,8%, estável em relação ao mês anterior e 1 ponto percentual acima do registrado um ano antes.
Já o comprometimento de renda com o pagamento de dívidas subiu para 28,9% em junho, alta de 0,4 ponto percentual no mês e de 1,7 ponto em 12 meses.
Inadimplência no crédito livre atinge recorde, e atraso de famílias chega a 7,8%, diz BC
Avanço dos atrasos ocorreu mesmo com uma queda dos juros médios cobrados nesse tipo de crédito
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo