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Economia

Guedes: estagflação, acesso a vacinas e agenda verde foram os alertas do G20

Paulo Guedes esteve lado a lado do presidente Bolsonaro nos eventos relacionados à reunião de Cúpula que ocorreu neste fim de semana na Itália

Redação Jornal de Brasília

01/11/2021 5h51

O presidente da República, Jair Bolsonaro e o ministro da economia, Paulo Guedes,fazem declaração conjunta à imprensa no auditório do ministério da economia em Brasília. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Preocupação com a estagflação, mais acesso às vacinas no mundo e tornar a agenda verde adiante prioritária e de forma responsável foram os três principais alertas durante as plenárias de líderes do grupo das 20 maiores economias do globo (G20), conforme informou o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele esteve lado a lado do presidente Jair Bolsonaro nos eventos relacionados à reunião de Cúpula que ocorreu neste fim de semana na Itália, e conversou com o Estadão/Broadcast por telefone.

O primeiro grande alerta no encontro, conforme o ministro, foi relacionado à área de saúde. Enquanto países desenvolvidos e alguns emergentes como o Brasil informaram que estavam avançando na imunização da sua população, nações africanas relataram encontrar problemas para vacinar seus cidadãos. De acordo com Guedes, o G20 fez uma espécie de mea culpa por não ter tido efetividade na coordenação durante a pandemia. Por isso, um dos assuntos mais importantes nessa área foi o de como o grupo deve se preparar para enfrentar novos momentos complicados na área da saúde. “Temos que nos preparar para novas pandemias”, disse Guedes.

O próprio ministro avaliou que o G20 deixou a desejar em alguns aspectos, tendo mesmo falhas graves. Um dos acertos é a de que os membros do grupo doarão vacinas aos países mais necessitados. O Brasil, conforme o ministro, deverá doar 12 milhões de unidades de imunizantes. “Isso deve ocorrer no final deste ano ou, no máximo, no início do ano que vem. Faremos a doação depois de vacinar toda a população aqui”, explicou Guedes.

O Brasil se comprometeu com a oferta, apesar de não ter recebido ainda sua fatia no consórcio covax facility. O País colaborou com US$ 150 milhões para o consórcio, o que lhe daria o direito de receber cerca de 40 milhões de doses, mas até o momento chegaram cerca de 10 milhões. A “vaquinha” das vacinas foi solicitada depois da identificação de que os países desenvolvidos estão se recuperando enquanto, na África apenas 0,4% da população recebeu pelo menos uma dose. Além das doações, os membros do G20 se comprometeram a aumentar também as exportações da produção local para países mais necessitados.

Estagflação

O segundo grande alerta do grupo também foi citado no comunicado do G20 divulgado mais cedo, que é o que trata da assimetria da recuperação econômica. Guedes, no entanto, deu mais cores sobre a preocupação dos líderes, dizendo que há uma real preocupação em relação à estagflação. “Nos países desenvolvidos, há duas grandes preocupações: choque de oferta negativa com inflação subindo”, relatou. De acordo com ele, a tensão tem se mostrado maior nas economias principais porque começaram os anúncios de tapering – que é a retirada dos estímulos concedidos pelos governos no auge da pandemia – e também de aperto monetário. “Isso significa que, além da questão do choque de oferta, terá retração de demanda. Este é um receio de todos. Não só do Brasil.”

O terceiro tópico se deu na sequência, quando houve comentários sobre crise energética e sobre o aumento dos preços internacionais do petróleo. A mudança climática está ao lado de tudo isso e deve ser a grande agenda à frente do G20. “Vamos ter que fazer transição em meio à crise energética.”

Homenagem a Merkel

Guedes relatou que, ao fim do encontro, quando os líderes já deixavam o local, o presidente rotativo do G20, Mario Draghi, pediu desculpas no microfone e solicitou que todos voltassem aos seus lugares. Ele disse, conforme o ministro, que não poderia encerrar a reunião sem registrar que esta era a última participação da alemã Angela Merkel, que deixará o governo após 16 anos. Todo mundo bateu palmas para ela, que ficou emocionada. “Mas Bolsonaro se levantou e fez gestos com os braços para o alto, convidando os demais a se levantarem”, descreveu. Os aplausos continuaram com os líderes em pé por mais cerca de quatro minutos.

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