Um conflito sindical gerado na Conaprole, a principal empresa de laticínios do Uruguai e uma das maiores exportadoras do país, ameaça pôr em perigo as vendas para o Brasil e México, informou hoje o advogado da corporação, Daniel Rivas, à Agência Efe.
Uma série de paralisações, convocados desde ontem pela Associação de Operários e Empregados da Conaprole (AOEC) em protesto pela suposta “demissão arbitrária” de um trabalhador, estão gerando dificuldades na produção e na provisão dos produtos, exportados para cerca de 60 países.
As exportações programadas para o Brasil e México poderiam ser as primeiras a serem afetadas pelo conflito trabalhista, que também está provocando alguns problemas de provisão de leite e seus derivados no mercado interno, disse Rivas.
O conflito começou quando um trabalhador, que tinha sido investigado pela Justiça, foi despedido pela direção apesar de ter sido eximido de responsabilidade no processo.
A empresa alegou “má conduta”, mas o sindicato qualificou a decisão de “injusta” e “sem mérito”, por isso realizou uma greve de 24 horas nesta quarta-feira na fábrica onde o empregado trabalhava e várias paralisações “solidárias” de duas horas em outras fábricas de todo o país.
Além disso, a associação resolveu que desta sexta-feira até o dia 27 de maio seriam feitas paralisações de entre três e seis horas por turno em todo o país.
Como consequência, a direção da corporação publicou hoje avisos nos meios de comunicação para informar que a medida do sindicato está afetando o abastecimento de leite e impede suas exportações.
O porta-voz do AOEC, Roberto Galli, afirmou hoje à Agência Efe que embora admita que as interrupções podem atrapalhar “na produção e na distribuição”, mas que a empresa “exagera” e só quer “gerar alarme”.
“Não queremos nem gerar perdas nem prejudicar a população, mas entendemos que a demissão de nosso companheiro foi totalmente arbitrária”, explicou Galli.
Os trabalhadores planejam uma assembleia geral para quinta-feira quando devem decidir novas medidas de protesto, enquanto a direção da empresa insiste que “tomou a decisão adequada” e que a demissão do empregado “não é negociável”.
Além do Brasil e do México, a Cronapole também exporta para a Venezuela, Cuba, Rússia, Estados Unidos, Coreia do Sul, Argélia entre outros.