GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS
O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) suspendeu a importação de amêndoas fermentadas e secas de cacau da Costa do Marfim. A decisão foi publicada nesta terça-feira (24) no Diário Oficial da União e tem efeito imediato e vai durar até que o país se manifeste sobre a situação.
O motivo seria possível risco fitossanitário devido ao alto fluxo de grãos originados de países vizinhos ao território marfinense, que poderiam se misturar às cargas exportadas e trazer pragas ou doenças, segundo o governo.
O país da África Ocidental é considerado o maior produtor de cacau do mundo e exportou 41,6 mil toneladas do produto para o Brasil no ano passado, o que representa 37% do total de 112,8 mil toneladas importadas em território brasileiro.
A publicação ainda determina que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e a Secretaria de Defesa Agropecuária investiguem as suspeitas de mistura de grãos de países vizinhos.
A Costa do Marfim terá que apresentar garantias de que os envios não apresentam risco de conter amêndoas de cacau produzidas em países vizinhos, “cujo status fitossanitário da cultura é desconhecido e cuja exportação ao Brasil é de origem não autorizada”.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e a Faeb (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia) se manifestaram publicamente a favor da medida, disseram que já estavam em diálogo com o Mapa sobre o tema desde novembro e afirmam que a decisão tem respaldo científico.
“Acreditamos na competência técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa para que, com base em critérios científicos, tome a decisão mais assertiva para a proteção do cacau nacional”, afirmou o diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva.
Já a AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau) demonstrou preocupação com a suspensão e diz que tais decisões precisam ser ancoradas exclusivamente em critérios técnicos.
“Confiamos igualmente no governo da República da Costa do Marfim, parceiro estratégico do Brasil no comércio internacional de cacau, para que possa apresentar os esclarecimentos e garantias necessários quanto à rastreabilidade e aos controles adotados para impedir a triangulação de amêndoas provenientes de países não autorizados”, diz.
Segundo a entidade, a moagem de cacau no Brasil somou 195.882 toneladas no ano passado, um recuo de 14,6% em relação a 2024, também devido a uma matéria-prima mais cara.