GUILHERME PIMENTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a avaliação de eventual aplicação de reciprocidade tarifária aos Estados Unidos ocorrerá com “muita cautela e responsabilidade”, após o governo abrir o processo
Ontem, o governo Lula informou aos EUA que iniciará o processo que aplica Lei da Reciprocidade contra as tarifas, fase na qual o país solicita análises diplomáticas antes da aplicação em si.
A intenção, segundo Durigan, será ouvir empresas brasileiras e estrangeiras sobre os impactos das medidas comerciais adotadas pelo país. “Como percebemos que o mundo é fechado, o primeiro impacto é colher, em especial do empresariado brasileiro e do exterior, quais os impactos”, afirmou nesta sexta-feira (14), em Brasília.
A legislação, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional após as primeiras medidas impostas contra o Brasil pelo governo Trump, ainda em 2025, permite adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando há a imposição de barreiras consideradas injustificadas aos produtos brasileiros.
Em julho, o governo Donald Trump impôs uma nova alíquota de 25% sobre os produtos brasileiros, o que atinge 18% das exportações aos EUA. Uma semana depois, aplicou outra tarifa contra o Brasil, desta vez com alíquota de 12,5% e por suposta leniência no combate à importação de produtos produzidos com trabalho escravo. Para certos produtos, as taxas são somadas e chegam a 37,5%.
Durigan também anunciou que o governo autorizou nesta sexta-feira cinco operações de crédito para Estados, que somam valores bilionários e envolvem Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco.
Desde o início da gestão, disse, já foram autorizados R$ 270 bilhões em operações aos entes subnacionais com aval da União.
A maior operação autorizada nesta sexta-feira é a de São Paulo, no valor de R$ 5,4 bilhões, contratada com o Banco do Brasil, com funding da instituição e aval do Tesouro Nacional. Os recursos serão destinados a projetos de metrô, mobilidade urbana e travessia hídrica.
A autorização ocorre após o governador Tarcísio de Freitas cobrar, no último domingo, a liberação do financiamento para o Estado. O governador havia defendido a operação e pressionado o governo federal pela autorização do crédito.
Também foi autorizada uma operação de R$ 4,9 bilhões para o Piauí. As operações de São Paulo e Piauí, juntas, representam R$ 10,3 bilhões em crédito autorizado.
As outras três operações envolvem Maranhão, Pernambuco e Rondônia. Pernambuco terá financiamento junto à Caixa Econômica Federal, enquanto Rondônia fará a operação com o Bradesco. As autorizações fazem parte da política de concessão de crédito a Estados e municípios com garantia da União, que permite aos governos regionais contratar financiamentos em condições mais favoráveis.