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Economia

Gigantes da telefonia disputam mercado brasileiro

Arquivo Geral

28/07/2010 17h21

As duas operações milionárias anunciadas hoje, que permitirão a Telefónica assumir o controle da operadora móvel Vivo e a Portugal Telecom aliar-se ao grupo Oi, acenderam a disputa entre as três gigantes pela liderança do atrativo mercado brasileiro de telecomunicações.

O negócio permitirá a Telefónica oferecer em breve tanto telefonia fixa, como móvel, conexão à internet e televisão por assinatura, possibilidades que vinham potencializando o crescimento de seus dois principais concorrentes: o grupo Oi e o mexicano América Móvil, conhecido como Claro no Brasil.

Enquanto a Vivo, que passará para o controle da Telefónica, é a maior operadora de telefonia celular do Brasil, a Oi é a maior operadora de telefonia fixa, e a Claro é líder nos setores de televisão por subscrição e internet.

A possibilidade de poder unificar suas operações no Brasil foi o que levou a Telefónica a anunciar hoje o acordo para adquirir os 30% que a Portugal Telecom tem da Vivo por 7,5 bilhões de euros.

A Portugal Telecom, por sua vez, anunciou uma sociedade “estratégica” com o grupo Oi que lhe permitirá ter até 22,38% da companhia brasileira mediante o pagamento de R$ 8,4 bilhões.

Pouco após anunciar o acordo, a Telefónica informou que apresentará uma oferta pública para adquirir o restante das ações ordinárias da Vivo por cerca de 800 milhões de euros.

Dessa forma poderá unir seus negócios de telefonia fixa (Telesp) e de internet por banda larga (Speedy) no Brasil com os de telefonia celular (Vivo) e oferecer simultaneamente televisão por assinatura graças a sua participação na TVA (terceira maior operadora).

Segundo a Telefónica, a operação lhe permitirá se transformar em “líder indiscutível do mercado de telecomunicações do Brasil”, com 69,2 milhões de clientes, dos quais 55,9 milhões são da telefonia celular e 11,2 milhões de telefonia fixa.

De acordo com a empresa espanhola, a posição de liderança é estratégica em um país com grande potencial de crescimento como o Brasil, que conta com uma população de 192 milhões de habitantes e uma sociedade muito receptiva às novas tecnologias.

A dupla negociação, no entanto, também dará um respaldo a Oi para financiar seu projeto de expansão tanto nacional como internacional e para tentar recuperar a liderança do mercado brasileiro de telecomunicações, no qual atualmente conta com 62,2 milhões de clientes.

A Oi, que oferece os quatro serviços em todo o país, tem 21,1 milhões de clientes de telefonia fixa, 36,6 milhões de móveis, 4,3 milhões de internet por banda larga e 283 mil de televisão por assinatura.

Os recursos apresentados pela Portugal Telecom e um lançamento de ações previsto injetarão na companhia brasileira até R$ 12 bilhões, que serão destinados a investimentos e a financiar a expansão tanto no Brasil como em outros países.

A Oi informou em comunicado que espera aproveitar sua associação estratégica com a companhia portuguesa para se expandir para outros países da América Latina e para os africanos de língua portuguesa.

A associação prevê uma troca de participações que permitirá ao grupo ter até 10% do capital da Portugal Telecom, que por sua vez terá 22,4% da Oi.

Apesar da Portugal Telecom ter direito a um membro no conselho diretor da Oi, a empresa permanecerá sob o controle de um bloco integrado pelos grupos brasileiros Andrade Gutierrez (19,3%) e Jereissati (19,3%) e da Fundação Atlântico (11,5%), o fundo de pensões dos empregados da Oi.

A Oi surgiu nacionalmente no ano passado da fusão entre as companhias Telemar e Brasil Telecom, precisamente para criar um grupo nacional que tivesse condições de competir no país com a Telefónica e com o grupo mexicano América Móvil.

A América Móvil, do milionário mexicano Carlos Slim, controla as brasileiras Claro (segunda operadora móvel do país) e Embratel (telefonia fixa e líder no mercado de longa distância), e é, além disso, acionista da NET (principal operadora de televisão por assinatura e de internet por banda larga).

A possibilidade de oferecer todos os serviços de forma conjunta e em pacotes a varejo foi a que permitiu que a NET/Embratel se transformasse no único grupo a aumentar seu número de clientes de telefonia fixa nos dois últimos anos: de 5,36 milhões no final de 2008 para 6,68 milhões em março.

No mesmo período o número de clientes da Oi caiu de 22,1 para 21,1 milhões e o da Telesp (Telefónica) de 11,7 para 11,2 milhões.

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