O primeiro-ministro francês, François Fillon, criticou hoje as “distorções” atuais nas paridades monetárias mundiais e considerou que o Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) deve se encarregar de regulá-las, além de pedir à União Europeia (UE) que promova “uma verdadeira política de crescimento”.
“A regulação da taxa de câmbio tem vocação para entrar na agenda do G20, declarou Fillon, em conferência realizada em Paris sobre as reformas do capitalismo, e insistiu em que “as paridades monetárias devem refletir melhor os fundamentos econômicos”, porque as “distorções” que ocorrem agora “prejudicam” a orientação dos capitais.
O primeiro-ministro defendeu a ideia anunciada ontem pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que disse ontem que a reforma do sistema monetário internacional por meio de um mecanismo “multimonetário” será uma das prioridades da França durante sua presidência do G20 e do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) no ano que vem.
Fillon considerou hoje que 2010 “será um ano de transição” nas mudanças dos organismos de gestão internacional, e adiantou que “a França terá a honra de conduzir o processo de aproximação das instâncias, com uma cúpula única sob a presidência francesa em 2011”.
Segundo o primeiro-ministro, levando em conta que “o capitalismo não vai se reorientar espontaneamente”, considerou que “é preciso criar novas regras para o jogo mundial baseadas na coordenação de políticas econômicas”, pelo menos em três terrenos: o comércio internacional, as estratégias nacionais de saneamento das finanças públicas e as paridades monetárias.
“Nossa prioridade deve ser impedir a bolha especulativa da economia e evitar a volta” da especulação financeira, dos objetivos financeiros a curto prazo ou da decadência da cooperação internacional, argumentou.
Fillon também insistiu que “nosso dever é prevenir o mal”, porque, com o nível de endividamento dos países desenvolvidos, não há margem para novas ajudas dos Estados.
O primeiro-ministro declarou ter vocação europeísta e manifestou esperança para que o atual semestre de Presidência espanhola da UE destaque o trabalho em “uma política econômica coerente que permita os países do bloco crescerem de forma organizada”, para que “a UE possa ser no futuro um dos espaços mais prósperos e influentes do mundo”.
“Temos que iniciar este verdadeiro Governo econômico europeu” porque, sem ele, “não é possível nenhuma coordenação das políticas”, nem a prevenção de choques internos ou externos na zona do euro, argumentou.