A alta prevista dos juros encarecerá o custo dos empréstimos públicos e privados tanto nos países avançados quanto nas nações em desenvolvimento, o que freará o crescimento a médio prazo, segundo a entidade.
O aumento dos juros será impulsionado por uma dívida pública que chegará a 118% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 nos países avançados, explicou o FMI, em um relatório sobre a situação orçamentária dos membros do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes).
Para reverter esses números, seria preciso um grande esforço de economia pública, mas isso é algo que não deve começar imediatamente, segundo o Fundo.
O diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Carlo Cottarelli, afirmou que os países que aprovaram medidas de estímulo devem mantê-las em 2010.
“A recuperação ainda é frágil e é o resultado, em parte, desse respaldo, por isso seria prematuro retirar o apoio fiscal”, disse, em entrevista coletiva.
Enquanto isso, os países ricos saem lentamente da crise, a atividade econômica nas nações emergentes acelerou e o Fundo prevê que Brasil, México e Turquia já começarão no próximo ano a “apertar o cinto” para sanear suas contas fiscais.
Ao contrário de outras crises, o ritmo mais forte da recuperação nos países em desenvolvimento torna sua dívida mais manejável.
O encargo das obrigações públicas diminuirá no Brasil e na Argentina, onde vai equivaler a aproximadamente 66% e 58% do PIB no ano que vem, segundo o FMI.
Apesar de que a dívida brasileira continuará acima de 60%, Cottarelli afirmou que “não é uma fonte de preocupação imediata”.
O México, outro país latino-americano que pertence ao G20, manterá sua dívida em torno de 48% do PIB no próximo ano, segundo o Fundo.
No relatório, o FMI pediu aos Governos dos países ricos que “elaborem e comuniquem, atualmente, estratégias críveis de saída” para seus programas de estímulo.
Não basta um anúncio sobre quando retirarão essas medidas, mas os Governos dos países avançados devem considerar aumentos de impostos equivalentes a 3% do PIB, de acordo com o Fundo.
O FMI também defendeu um congelamento da despesa per capita, excluindo previdência e saúde – que aumentarão, inevitavelmente, com o envelhecimento da população -, e pediu reformas para manter o crescimento do desembolso nesses dois âmbitos no mesmo ritmo do aumento anual do PIB.
O objetivo deve ser uma melhora do déficit primário (o saldo das contas públicas antes do pagamento dos juros da dívida), equivalente a 10,5% do PIB na próxima década, e mantê-lo nesse nível por mais dez anos, de acordo com o relatório.
Isso significa que os países ricos terão que economizar muito mais, de modo que sua dívida caia de 114% do PIB em 2014 para 60% em 2030, que era a média antes da crise, segundo o organismo financeiro.
Este ano, os membros do G20 terão um déficit coletivo de 7,9% do PIB, devido à recessão e às medidas de estímulo econômico. Para o próximo ano, diminuirá para 6,9%, um número um pouco melhor que a anterior previsão do FMI, divulgada em julho.
No entanto, a baixa é porque os Governos perderão menos com seus programas de respaldo ao setor financeiro, onde as condições melhoraram.
Excluindo esse fator, o déficit, na realidade, aumentará no próximo ano, devido ao aumento do desemprego e à alta de outros tipos de despesa, segundo o FMI.