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Economia

Fed vai manter juros perto de zero nos EUA por período "extenso"

Arquivo Geral

27/01/2010 0h00

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) demonstrou hoje defender a manutenção das taxas de juros perto de zero durante um bom tempo ao final de uma reunião na qual refletiu um maior otimismo em relação a economia dos Estados Unidos.

“As informações recebidas desde a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto sugerem que a atividade econômica continua se fortalecendo e a deterioração no mercado de trabalho está diminuindo”, diz o Fed em comunicado.

Em dezembro, o banco central tinha se limitado a apontar que a atividade econômica estava “se recuperando”.

Mesmo assim, o organismo emissor reconheceu que a atividade econômica continuará “moderada” por algum tempo e bateu na tecla de que o mercado de trabalho, com taxas de desemprego perto dos 10%, ainda está “frágil”.

O Fed destacou que “é muito provável que as condições econômicas, incluindo os baixos níveis de utilização de recursos, a baixa inflação, e as expectativas inflacionárias estáveis garantam níveis excepcionalmente baixos de fundos federais durante um período extenso”.

Esse compromisso com taxas de juros historicamente baixas provocou certas tensões e fez com que a decisão de hoje, por nove votos a favor e um contra, não fosse unânime.

O presidente do banco do Federal Reserve de Kansas City, Thomas Hoenig, destoou ao querer eliminar a frase que fala de taxas de juros “excepcionalmente baixas”.

O Fed explicou que mantém o nível da taxa básica de juros entre zero e 0,25%.

Analistas esperavam a manutenção desse patamar, já que a recuperação econômica ainda é frágil apesar da grande injeção de dinheiro público e das medidas excepcionais adotadas para reanimar a atividade econômica e o crédito.

Uma das medidas adotadas pelo banco central americano é a compra de títulos da dívida vinculados ao setor hipotecário por US$ 1,43 trilhão, uma decisão adotada no meio da pior crise imobiliária na história moderna dos EUA.

O citado programa acaba em março, mas o Fed disse que está pronto para mudar seus planos, caso necessário, “para respaldar a estabilidade financeira e o crescimento econômico”.

Os resultados da reunião de hoje chegam em meio a um acalorado debate sobre a conveniência de estender o mandato de Ben Bernanke à frente do Fed por mais quatro anos.

Para continuar no cargo, o presidente do Fed precisa ter seu nome confirmado pelo Senado em uma sessão que pode acontecer nesta sexta-feira caso os senadores decidam amanhã proceder ao voto definitivo no dia seguinte.

O problema é que vários senadores se opõem a um segundo mandato de Bernanke ao alegar que as políticas impulsionadas pelo Fed têm sua parcela de responsabilidade no desastre financeiro sofrido pelos EUA.

“Ninguém pode negar que, como presidente do Fed, Bernanke relaxou enquanto Wall Street se transformou no maior cassino da história”, escreveu o senador independente Bernie Sanders em carta enviada recentemente aos democratas.

Influentes ONGs como a MoveOn.org, próxima às bases democratas que levaram o presidente americano, Barack Obama, ao poder, também se opõem à permanência de Bernanke ao apontar, entre outros motivos, a deficiente regulação hipotecária antes da explosão da crise.

Além disso, segundo a organização, o responsável pelo banco central americano “ignorou completamente sua responsabilidade de ajudar a lutar contra um desemprego em massa”.

Apesar das controvérsias, a Casa Branca insiste em que Bernanke obterá os votos necessários para continuar no cargo.

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