GUILHERME PIMENTA E IDIANA TOMAZELLI
FOLHAPRESS
O Ministério da Fazenda elevou para 5,1% a projeção de inflação para este ano, devido aos possíveis impactos do El Niño. A projeção anterior, de maio, previa um IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,5%.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Boletim Macrofiscal, da Secretaria de Política Econômica.
Com a nova projeção, a inflação fica acima do teto da meta perseguida pelo BC (Banco Central), de 4,5%.
No acumulado em 12 meses até junho, o IPCA desacelerou a 4,64%.
Já em relação ao crescimento do PIB, a estimativa de 2,3% para o ano foi mantida. De acordo com a Fazenda, a atividade econômica “segue em expansão”, mas prevê uma aceleração do PIB no segundo trimestre deste ano, após o crescimento de 1,1% no trimestre anterior.
Um provável El Niño mais intenso preocupa o Ministério da Fazenda, já que o fenômeno climático costuma alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país, afetando a produção agropecuária. Com isso, há menor oferta de alimentos, o que pressiona o preço de alguns itens e pode impactar o IPCA. Além disso, pode haver alta nos custos de energia e logística.
No boletim, divulgado antes do anúncio esperado de uma nova rodada de tarifas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, a Secretaria de Política Econômica avaliou que o impacto macroeconômico das medidas tende a permanecer reduzido para a economia brasileira, já que a expectativa é de que o governo americano confirme exceções para diversos produtos.
O documento ainda estima que as medidas de crédito anunciadas pelo governo brasileiro a partir de maio ainda tiveram efeito limitado sobre a atividade econômica, porque a regulamentação adiou o início efetivo das operações.
Segundo a SPE, as iniciativas de renegociação de dívidas por meio das duas versões do programa Desenrola, para adimplentes e inadimplentes, e a ampliação do acesso ao crédito para famílias, empresas e microempreendedores individuais devem ter efeito neutro sobre a economia no curto prazo.
A Fazenda também reduziu a projeção de crescimento para 2027, de 2,6% para 2,5%. O documento atribui o cenário de médio prazo a uma trajetória de juros mais restritiva do que a prevista anteriormente, com uma redução mais lenta da Selic. A expectativa para a inflação oficial também subiu de 3,5% para 3,6% para o próximo ano.
A SPE também avaliou que o conflito no Oriente Médio continua sendo um dos principais fatores de risco para o cenário econômico. Segundo a Fazenda, embora a trégua entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido temporariamente o preço do petróleo, a retomada das hostilidades em 8 de julho -após a data de corte das projeções- voltou a elevar as cotações da commodity e aumentou as incertezas.