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Economia

Fazenda eleva de 3,7% para 4,5% sua projeção de inflação

A revisão dos números da Fazenda foi divulgada no Boletim Macrofiscal, publicado ontem pela Secretaria de Política Econômica (SPE).

Redação Jornal de Brasília

18/05/2026 21h31

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Brasília, 18 – Sob o impacto das incertezas em torno do conflito no Oriente Médio, o Ministério da Fazenda aumentou sua projeção para o IPCA deste ano, de 3,7% para 4,5%. Mesmo subindo para o teto da meta de inflação, que é de 4,5%, a expectativa da Fazenda ainda está abaixo das projeções do mercado financeiro.

De acordo com o Boletim Focus, uma compilação feita pelo Banco Central, a mediana das expectativas de bancos e gestores para o indicador no ano subiu pela décima semana consecutiva, de 4,91% para 4,92%. Considerando apenas as 53 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 4,95% para 5,04%.

A revisão dos números da Fazenda foi divulgada no Boletim Macrofiscal, publicado ontem pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A perspectiva de inflação maior reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados, segundo a SPE. “Contudo, as projeções também consideram que parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalançada pelos efeitos do real mais apreciado e por medidas mitigatórias adotadas pelo governo federal para conter o repasse do aumento dos combustíveis no mercado doméstico”, diz a secretaria.

Até o início dos conflitos no Oriente Médio, lembra a Fazenda, os dados do IPCA apontavam para uma trajetória de desaceleração da inflação, com convergência para o centro da meta. “Desde março, contudo, o choque na cotação internacional do petróleo, além de afetar os preços dos combustíveis, passou a pressionar insumos industriais e custos de transporte, com possíveis desdobramentos em itens da cadeia de alimentos”, diz o documento, ressaltando que esse cenário é compatível com uma trajetória de inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026.

META NÃO MUDA

Apesar desse quadro, a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, descartou a possibilidade de uma revisão da meta de inflação, lembrando que as projeções da pasta ainda apontam a inflação convergindo para o centro da meta nos próximos anos. “A dinâmica sugere convergência para a meta e esse número de 4,5% está dentro da banda superior da meta Então, por enquanto, o nosso cenário aponta, de fato, para um cenário normal de uma inflação sendo repassada por inércia, mas convergindo para a meta nos próximos anos”, disse.

Para 2027, a projeção da Fazenda também subiu, de 3,0% para 3,5% – igualmente acima do centro do alvo, de 3,0%. A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 permaneceu em 4,0%, estável há três semanas e também já acima dos números da Fazenda Um mês atrás, era de 3,99%. Considerando apenas as 52 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 3,90% para 4,0%.

Estadão Conteúdo 

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