VICTORIA DAMASCENO
FOLHAPRESS
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a divisão das cotas chinesas de carne bovina entre frigoríficos será feita pelo setor privado, sem intervenção do governo federal.
“É algo privado e o governo só vai apoiar, desde que haja entendimento entre eles. O governo vai apoiar para que, democraticamente, todos cumpram uma cota e façam seus negócios com a China”, disse à reportagem.
A discussão sobre como será contabilizada a venda para o país asiático teve início após Pequim determinar uma medida de salvaguarda que estabeleceu cotas máximas sobre a importação da commodity para diversos países. Assim, aqueles que ultrapassarem o limite determinado estarão sujeitos à taxação.
O Brasil, principal fornecedor da China, terá tarifa de 55% caso exceda 1,1 milhão de toneladas em 2026. Em 2025, o total exportado para o mercado chinês foi de 1,65 milhão de toneladas na categoria “carne bovina fresca, refrigerada ou congelada”, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
“Nós temos algumas estratégias para garantir estabilidade de preços e oferta para o governo chinês, caso um país que também tem cota não consiga cumpri-la. Então, é uma relação muito boa”, afirmou.
O ministro foi questionado sobre a distribuição das cotas durante sua passagem por Seul, na Coreia do Sul, como parte da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma visita de Estado ao país.
A abertura do mercado de carne bovina aos coreanos era uma das principais pautas da visita. Segundo Fávaro, a busca por este novo mercado não tem relação com a medida de salvaguarda chinesa.
“Não tem nada a ver uma coisa com outra. O Brasil e o governo do presidente Lula defendem o multilateralismo. Nós não temos preferência de comércio com A ou com B”, afirmou.
A ida da comitiva de Lula à Coreia do Sul fez com que o governo avançasse nas negociações para a abertura do mercado no país.
Seul informou que fará auditoria nas plantas frigoríficas do país para verificar se o Brasil atende aos requisitos sanitários e de qualidade necessários para finalizar a negociação. A expectativa do governo é positiva, uma vez que o Brasil é o principal exportador de proteína bovina no mundo e já atende mercados com altas exigências regulatórias, como o chinês.
Segundo o ministro, este é o passo mais importante para a abertura de um novo mercado. Não há, porém, garantia ou prazo para a conclusão da negociação.