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Falta de peças e crise sanitária gera descompasso entre produção e demanda no setor de motos

Segundo a entidade, a procura por motocicletas novas está entre 15% e 20% acima da atual capacidade de produção

motocicleta

Eduardo Sodré
São Paulo, SP

“O curto prazo virou um dia e o longo prazo virou um mês”. A frase dita nesta quinta (10) por Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo (associação que reúne fabricantes de motos e de bicicletas), resume o momento atual do setor. As dificuldades para importar componentes e a crise sanitária que afetou a produção no Polo Industrial de Manaus prejudicam o planejamento e se refletem no descompasso entre oferta e demanda. Segundo a entidade, a procura por motocicletas novas está entre 15% e 20% acima da atual capacidade de produção.

As fábricas retomam gradativamente as atividades. Foram montadas 103,8 mil motos em maio, de acordo com os dados da Abraciclo. É uma queda de 15,1% na comparação com abril, mas o balanço do ano segue positivo, apesar das dificuldades. A produção chegou a 463,4 mil unidades entre janeiro e maio. Trata-se de volume próximo ao registrado no mesmo período de 2019 (469 mil), ano em que a indústria das duas rodas registrou boa recuperação após anos de crise.

A alta no acumulado de 2021 é de 47,5% em relação aos cinco primeiros meses de 2020, mas a base de comparação é rasa. As fábricas manauaras permaneceram fechadas durante longos períodos entre o segundo e o terceiro bimestres do ano passado, na primeira onda da pandemia de Covid-19. O problema que obrigou interrupções nas linhas de montagem é também a principal razão das filas de espera por motocicletas. Entregadores de aplicativo movimentaram o segmento de motos “street”, composto por modelos de baixa cilindrada que são usados no serviço de delivery.

Quem deseja adquirir uma Honda CG 160 Start (R$ 10.020), uma Yamaha Factor 125i (R$ 11.090) ou alguma outra opção semelhante precisa aguardar, em média, 45 dias pela entrega. Fermanian afirma que as fabricantes estão regularizando gradualmente as entregas para as concessionárias, mas os estoques seguem baixos. O executivo diz que a situação será normalizada “em poucos meses”. A Abraciclo calcula que há fila de espera por 100 mil motocicletas. A entidade estima que serão produzidas 1,06 milhão de unidades ao longo de 2021, uma alta de 10,2% em relação ao ano passado.

“No momento as fábricas mostram uma curva de recuperação. No entanto, estamos apreensivos em relação ao ritmo do avanço da pandemia nos próximos meses”, diz Fermanian, em nota. “É preciso acelerar o programa de vacinação para trazer tranquilidade na gestão das nossas fábricas.” Segundo o executivo, a crise sanitária sem controle impede novos investimentos.

Mas o fornecimento claudicante de componentes -além da falta de peças mecânicas, as fabricantes de motos também são afetadas pela escassez de semicondutores- pode interferir nos planos. A única certeza é que a demanda vai permanecer em alta até o fim do ano, como mostram os resultados de maio. Foram licenciadas 110,4 mil motocicletas no último mês, melhor resultado para o período desde 2014. Em relação a abril, houve alta de 16,6%.

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No setor de bicicletas, persistem os problemas de abastecimento. Faltam transmissões, freios e sistemas de suspensão, entre outros itens. É comum clientes chegarem às lojas e não encontrarem modelos disponíveis.
Segundo Cyro Gazola, vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, a situação não vai se normalizar neste ano. O executivo afirma que o setor tinha dois meses de estoque de matéria-prima e 45 dias de produto pronto para entrega. Hoje o estoque de peças está muito baixo, equivalente a 15 dias de produção, e as bicicletas prontas atendem a apenas uma semana de vendas.

As informações são da FolhaPress






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