Amanda Karolyne
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O atual quadro de baixa atividade econômica e consequente desemprego não vai durar para sempre. Já é possível até fazer projeções sobre as prováveis necessidades do mercado de trabalho, levando em conta o tipo de profissional que será necessário para as empresas – e é justamente o que mostra um estudo realizado em Brasília.
Em busca de profissionais preparados para o mercado de trabalho, a indústria do Distrito Federal precisa até 2020, de 190 mil profissionais com qualificação técnica e ensino superior, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai DF). Construção Civil, Metalmecânica, Tecnologia da Informação e Automobilística estão entre as áreas que mais precisam de mão de obra qualificada.
Saiba Mais:
- Kenne Eduardo Luciano, 35 anos, é dono de uma oficina e ministrava um curso técnico em manutenção automotiva no Senai. Segundo ele, o mercado precisa de profissionais preparados. “Trabalho há 18 anos com oficina e vejo que falta mão de obra especializada. Logo as empresas têm que preparar os contratados”.
- Para ele é um caminho longo a percorrer sem a qualificação. O profissional muitas vezes não está habilitado para atender todas as competências e habilidades do dia a dia da empresa, que por outro lado, está preocupada em obter quadros com perfil técnico.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de reparação de veículos automotores e motocicletas se destaca por possuir mais estabelecimentos em Brasília.
O Mapa do Trabalho Industrial é uma projeção sobre as necessidades de qualificação do trabalhador que o ramo industrial exige no período. A demanda da indústria é por profissionais com formação de técnicos e qualificação técnica na prática de determinadas ocupações. Com a procura pelo perfil do profissional daqueles que buscam o primeiro emprego, os que buscam recolocação profissional e aqueles que querem montar seu próprio negócio. A pesquisa mapeia que até 2020 vai ser preciso requalificação e aperfeiçoamento para quem já está empregado e qualificação para empregos novos.
A grande oportunidade
Valéria Silva, coordenadora de educação do Senai DF, afirma que a profissionalização é a grande chance para aqueles que buscam pelo 1º emprego, ou aqueles que buscam por uma recolocação no mercado de trabalho. A demanda de qualificação vinda das empresas, é a oportunidade de quem quer uma nova formação profissional, o que garante uma maior empregabilidade no mundo do trabalho que passa por dificuldades diante da crise no país.
Ela comenta que em função do cenário atual, surge uma necessidade de qualificação de profissionais que atendam o que o mercado de trabalho cobra. Mas a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada existe por conta do desemprego. “Muitas vezes a pessoa desempregada não vê como uma qualificação vai ajudar financeiramente no momento e procura um paliativo, empregos informais que dão um retorno financeiro embora pequeno, mais rápido”, alega.
Com o intuito de desenvolver a educação profissional para a população, Valéria aponta que existem cursos como o do Senai que desenvolvem as competências e habilidades demandadas pela indústria. “Além de serem indispensáveis para o bom desempenho de uma função de determinada ocupação profissional”, afirma. Ela acredita que seja uma das grandes preocupações do mercado que quer em sua equipe de profissionais capazes de solucionar desafios e de propor novas soluções.
Prova de que qualificação funciona
Quem faz cursos técnicos para juntar a paixão com a profissão pode se dar muito bem no mercado. Foi o que aconteceu com Ana Paula Aires da Silva, 21 anos, que é apaixonada pelo ramo automobilístico desde pequena. Ela estava no Ensino Médio quando resolveu se qualificar para no futuro ser engenheira mecânica. “Estava em um passeio da escola, quando apresentaram para a gente cursos de qualificação profissional e fiquei curiosa porque gosto bastante de carros”, conta. Então ela começou a fazer o curso de técnica e manutenção automotiva no Senai.
Ana é a única mulher na oficina em que trabalha, e acredita que ser mão de obra qualificada foi duas vezes mais essencial para ela se sobresair no mercado. “Falam que mulher não sabe nada de carros, mas desde pequena ajudava meu pai com o carrinho dele”, frisa.
Hoje está em uma oficina do Setor de Oficinas localizado na M Norte e cursa engenharia mecânica. “Procurei melhorar minha formação, meu currículo. Quando a gente tem qualificação, para ser aceita no mercado de trabalho é melhor”, destaca. E, com o preparo técnico, ela faz mais que a parte mecânica: já se aventura até pela parte elétrica dos automóveis.