A comissão de valores mobiliários de Portugal (CMVM) confirmou que a Votorantim contatou a estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD) para adquirir uma participação na portuguesa Cimpor, do ramo de cimento.
Mais cedo, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fez uma oferta para a aquisição da Cimpor, seguido por uma proposta de fusão pela Camargo Corrêa.
A CMVM informou hoje que suas investigações não revelam evidências de um acordo entre os acionistas da Cimpor – da qual a CGD detém 9,6% – que possa afetar uma imputação de direitos de voto não divulgada ao mercado.
A possível entrada da Votorantim na Cimpor foi bem recebida pela empresa, que por outro lado rejeitou a oferta da CSN iniciada hoje na bolsa de Lisboa.
Segundo a CMVM, a CGD informou sobre os contatos com a Votorantim em 21 de janeiro e confirmou que a empresa brasileira, que não tem participação na Cimpor, foi ao banco estatal para estabelecer um acordo que “promova a estabilidade acionária” da produtora de cimento.
A CGD esclareceu à CMVM que um acordo com a Votorantim só seria possível caso a empresa brasileira passasse a ser acionista da Cimpor com uma participação que, somada à do banco, não ultrapasse 33% do capital.
O Conselho de Administração da Cimpor rejeitou no último dia 7 a oferta de aquisição de CSN – em vigor até o próximo dia 17 – e a considerou “hostil por seu oportunismo, irrelevante e perturbadora na atividade da empresa”.
Por outro lado, o presidente do Conselho de Administração da Votorantim Participações, Carlos Ermírio de Moraes, declarou nesta semana que a proposta da companhia “concilia” interesses porque não implica o controle da Cimpor.
A Camargo Corrêa propôs também neste mês uma fusão entre sua filial portuguesa e a Cimpor na qual teria, no final, “menos” de 50% do capital resultante.
A CMVM exigiu, no entanto, que lançasse também uma oferta pública e concorra com a da CSN ou retire a proposta de fusão.
A Cimpor opera em 13 países da Europa, Ásia, América do Sul e África. Em 2008, teve lucro de US$ 313 milhões.
Suas principais acionistas são a portuguesa Teixeira Duarte, com 22,9% do capital; a francesa Lafarge, com 17,3%, e o empresário português Manuel Fino, com 10,7%.