A câmara de empresas alimentícias da Argentina defendeu hoje a necessidade de se respeitar os acordos comerciais internacionais diante da possibilidade de imposição de barreiras do Governo à importação de alimentos, o que poderia provocar “represálias”.
A Coordenadora de Indústrias de Produtos Alimentícios (Copal) ressaltou que “sustenta firmemente” a urgência que “toda medida de política comercial respeite os critérios dos tratados internacionais dos quais a Argentina faz parte”.
O respeito dos acordos “é uma das garantias necessárias para evitar represálias no comércio mundial”, especificou a entidade em comunicado.
A associação empresarial reagiu assim diante de informações segundo as quais a Secretaria de Comércio argentina pediu às grandes redes de supermercados que deixem de importar produtos alimentícios, o que afeta exportadores do Brasil e da União Europeia (UE).
As barreiras comerciais se atribuem à intenção de proteger a indústria alimentícia argentina diante de uma eventual avalanche de importações provocada por uma desvalorização do euro. Tal desvalorização favoreceria os exportadores da UE e desviaria à Argentina parte do comércio entre Brasil e o bloco europeu.
O secretário de Comércio argentino, Guillermo Moreno, não confirmou nem desmentiu as informações sobre restrições à importação de alimentos, tampouco os rumores sobre a aplicação de barreiras sanitárias que teriam o mesmo efeito.
Por sua vez, o ministro da Economia, Amado Boudou, disse hoje que “é preciso cuidar” do mercado interno e dos produtores nacionais, mas evitou falar de medidas concretas.
“Isto de ser bonzinhos e abrir (nosso comércio) ao mundo e depois não conseguir exportar limões aos Estados Unidos é uma ideia romântica, mas muito ingênua”, disse o funcionário à rádio argentina “La Red”.
Brasil e UE são os principais parceiros comerciais da Argentina. O vizinho brasileiro exporta anualmente US$ 22 bilhões em alimentos e importa US$ 1 bilhão, segundo dados da Copal.
Os alimentos importados representam cerca de 3% dos que oferecem os supermercados no mercado argentino, segundo cálculos de fontes do setor citados pela imprensa local.
O assunto causou mal-estar em círculos políticos e empresariais do Brasil (parceiro da Argentina no Mercosul) e de países da UE.
A imprensa de Buenos Aires publicou na sexta-feira passada que a Secretaria de Comércio começaria a aplicar barreiras à importação de uma lista de alimentos – entre os quais frangos do Brasil – a partir de junho.