MAELI PRADO
FOLHAPRESS
Ex-ministro de Minas e Energia e integrante da equipe econômica que assessora a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Adolfo Sachsida defendeu nesta terça-feira (1º) o estabelecimento de um teto de gastos com base na relação entre dívida bruta e PIB (Produto Interno Bruto).
“Precisamos de um ajuste feito via controle de gastos, não dá para criar mais novos tributos. Nosso processo de consolidação fiscal é através de redução de gastos. Em um ano e meio vamos resolver o lado fiscal da economia. Não é mágica, é conhecimento sólido”, defendeu ele durante evento na Casa Lide.
Também presente ao evento, Daniella Marques, coordenadora de economia da campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro, evitou detalhar medidas de cortes de gastos.
“O melhor ajuste fiscal que podemos fazer é tirar o PT do poder, porque está comprovado que não farão [o ajuste fiscal] e não sabem fazer, nem acreditam nesse modelo econômico”, afirmou Marques, que foi aplaudida pelos empresários presentes.
O seminário debateu a necessidade de um ajuste fiscal no Brasil em um momento em que a relação dívida/PIB alcançou 82,5%, segundo dados divulgados nesta segunda (31) pelo Banco Central, patamar considerado insustentável por economistas.
“Está claro que o Brasil precisa de um freio de arrumação, o que tende a ser saudável, para corrigir distorções e permitir ao Banco Central cortar os juros”, afirmou Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos.
Megale apontou que a dívida pública já cresceu quatro pontos percentuais neste ano, e que as despesas obrigatórias continuam avançando em um ritmo forte. “O Brasil é como uma empresa com recorde de faturamento, mas com Ebtida [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] negativo”, disse.
Para Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda também presente ao seminário, são necessárias medidas de controle fiscal.
“Temos uma política fiscal expansionista e política monetária restritiva. Estamos com juros bastante elevados e, no entanto, o resultado ainda é uma inflação acima da meta para este ano. Temos que sintonizar as duas políticas e fazer o controle fiscal”, afirmou Meirelles.
O ex-presidente do BC destacou a importância de elevar a produtividade brasileira, que já representou metade da dos Estados Unidos e hoje é equivalente a apenas um quarto da americana. “A questão de médio e longo prazo que decide a sorte de um país é a produtividade”, defendeu. “É muito importante investir em educação para reverter isso.”
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, apontou a necessidade de revisar contratos, cortar os supersalários do Judiciário, restringir as emendas parlamentares e reduzir subsídios e gastos tributários, entre outras medidas.
Ele defendeu a possibilidade de estabelecer pisos distintos para o salário mínimo e as aposentadorias, que hoje são atreladas ao piso, garantindo o reajuste pela inflação e algum crescimento real. “Não tem como fugir disso. A cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, as despesas crescem acima de R$ 400 milhões”, apontou.