GUILHERME PIMENTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (6) que integrantes do governo federal receberam com “profunda insatisfação” a declaração do governo do Distrito Federal de que haveria inércia da União nas negociações para viabilizar uma solução para a crise do BRB (Banco de Brasília).
Segundo Durigan, a avaliação da equipe econômica é que a acusação é “totalmente descabida”, uma vez que o governo federal participa das tratativas no STF (Supremo Tribunal Federal), embora o problema tenha origem em fatos ligados ao próprio BRB no âmbito do escândalo do Banco Master.
Na quarta-feira (5), o ministro do Supremo Luiz Fux agendou nova audiência para a execução do acordo firmado para tentar viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para salvar o banco brasiliense. A decisão foi tomada após pedido do governo do Distrito Federal, que alegou haver inércia da União.
“O problema do BRB tem origem criminosa no Governo do DF e no BRB. A União, que não tem nada que ver com essa história, nós nunca tivemos relação com esse tipo de gente, foi chamada ao Supremo, a pedido da governadora [Celina Leão], nós nos dispusemos a ir ao Supremo, fechamos o acordo possível”, criticou o ministro.
A ação busca cobrir o rombo deixado no banco regional devido a operações fraudulentas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A União não tem nenhuma participação acionária no BRB.
“Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo, […] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais. Há silêncio”, acusou o DF ao Supremo.
De acordo com Durigan, técnicos da Fazenda têm realizado diversas reuniões para viabilizar as garantias oferecidas pelo governo distrital e analisar, junto aos bancos e ao FGC, a estrutura da operação. Ele afirmou que o principal entrave hoje não está na atuação da União, mas na apresentação de um plano de negócios considerado crível para a recuperação do BRB.
Durigan disse que o governo levará esse posicionamento à audiência marcada pelo ministro Luiz Fux no STF na próxima semana e voltou a responsabilizar o GDF pela demora nas negociações. “Nada hoje está parado no governo federal. Não há nenhuma inércia do governo federal”, afirmou.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também foi alvo de críticas de Durigan. Sem citar o parlamentar nominalmente, o ministro afirmou que chamou atenção a proposta da chapa de oposição de criar um “conselho superior” entre os Poderes para tratar da política fiscal, ao mesmo tempo em que, segundo ele, o grupo mantém uma postura de ataques às instituições.
“Isso chama atenção porque eles são conhecidos e renomados por atacar a instituição. Então é estranho que se ataque a Suprema Corte, ataque lideranças do Congresso e, ao mesmo tempo, proponha uma espécie de pacto”, disse. Durigan, que tem sido o porta-voz econômico de Lula na campanha, afirmou ainda que o presidente tem mantido uma interlocução “democrática e respeitosa” com os demais Poderes e concluiu que “tudo tem que começar com respeito democrático, e é o que não se vê na oposição”.