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Kátia Flávia
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“Clube dos 27”: a maldição bizarra que voltou após a morte do filho de Cindy Crawford

Presley Gerber morreu aos 27 anos, e a idade reativou um dos mitos mais persistentes da cultura pop

Kátia Flávia

21/09/2026 14h24

Presley Gerber, filho de Cindy Crawford e Rande Gerber, morreu aos 27 anos

Presley Gerber, filho de Cindy Crawford e Rande Gerber, morreu aos 27 anos

A morte de Presley Gerber, filho de Cindy Crawford e Rande Gerber, aos 27 anos, voltou a colocar o chamado “Clube dos 27” no centro das conversas. O modelo morreu em uma clínica de reabilitação em Los Angeles, e a causa não foi divulgada pela família, que pediu respeito e privacidade.

Eu fiquei na sala do Cosme Velho com essa notícia atravessada, porque basta uma tragédia encontrar esse número para a internet puxar uma lista, acender uma vela pop e começar a falar em maldição. Só que morte não é figurinha de álbum macabro, minhas filhas.

O “clube” nasceu da coincidência envolvendo artistas que morreram aos 27, como Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse. São nomes enormes, histórias interrompidas cedo demais e uma sequência que a cultura pop transformou numa espécie de lenda.

Eu entendo o fascínio. É uma idade que carrega aquela mistura de juventude, excesso, fama e descontrole que o povo adora romantizar até quando deveria apenas sentir tristeza. Mas daí a tratar 27 como sentença é dar verniz de mistério a dores que tinham nome, contexto e pessoas em volta.

A internet já começou a aproximar Presley dessa narrativa, como se o número explicasse alguma coisa. Não explica. O que se sabe é que ele morreu aos 27 anos; qualquer relação entre sua morte, sua passagem por tratamento e a velha teoria seria especulação cruel num momento em que a família ainda não divulgou a causa do óbito.

E tem dado para esfriar essa sopa mística: um levantamento publicado pelo British Medical Journal analisou 1.046 músicos que tiveram álbuns em primeiro lugar no Reino Unido e não encontrou aumento de mortes aos 27 anos. Entre 522 artistas expostos a essa idade, houve três mortes, índice semelhante ao registrado aos 25 e aos 32.

Ou seja: o Clube dos 27 existe como imaginário cultural, não como maldição estatística. A repetição de alguns casos muito famosos fez o cérebro humano fazer aquilo que ele ama: costurar coincidências até parecer que encontrou uma explicação.

Eu não compro essa fantasia de que um número ronda artistas como se fosse personagem de filme ruim. O que existe é uma coleção de perdas devastadoras que o entretenimento aprendeu a embalar como mito, às vezes esquecendo que por trás da manchete há uma família em luto.

No caso de Presley, a notícia precisa parar onde os fatos param. Ele era um jovem de 27 anos, filho de duas figuras públicas, e sua morte é uma tragédia. O resto, por enquanto, é internet tentando encontrar um sentido rápido para uma dor que não cabe numa lista.

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