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Economia

Durigan defende Desenrola e nega que estímulos do governo Lula causem juros altos

A possibilidade de o governo Lula acelerar no pacote de bondades em ano eleitoral acendeu o alerta para o risco para a política de juros

Redação Jornal de Brasília

05/05/2026 6h21

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Foto: Agência Brasil

DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que exista um excesso de estímulo fiscal na economia por parte do governo Lula e defendeu o uso de políticas públicas como a segunda edição do Desenrola e a aplicação de benefícios e subsídios setoriais para corrigir desarranjos econômicos.

“Não acho que o fiscal seja a razão do juros altos no país. A gente teve corte de juros em 2023, quando a gente teve um resultado primário pior do que 2024 e 2025. Ainda que naqueles anos o resultado não tenha sido superávit, foi um déficit muito pequeno, houve uma melhora gradual do fiscal. Isso é indisputável”, disse o ministro em participação no programa Roda Viva, nesta segunda-feira (4).

Como mostrou a Folha, a possibilidade de o governo Lula (PT) acelerar no pacote de bondades em ano eleitoral acendeu o alerta para o risco de que as medidas atrapalhem a política de juros e de combate à inflação do Banco Central.

Para Durigan, o problema principal para uma redução mais acelerada da Selic é a pressão inflacionária decorrente da guerra no Irã. Ele defendeu, no entanto, que o Brasil não deve ser “sócio da guerra” e que o uso das políticas fiscais não deva ser baseado no desenrolar do conflito.

O ministro citou como exemplo de políticas localizadas a crise das chuvas no Rio Grande do Sul e a guerra comercial aplicada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Brasil. Em sua visão, as medidas foram adotadas para evitar uma crise mais profunda entre os setores diretamente afetados.

“Não estamos em um cenário de paraíso fiscal, no sentido de que está tudo bem. Tem vários desafios pela frente, mas o que a gente fez nesses últimos tempos foi um grande esforço de 2% do PIB”, disse o ministro sobre a adoção de políticas econômicas para evitar o congelamento da economia.

Para Durigan, não existe “bala de prata” na solução dos gastos públicos, porém é necessário seguir com as políticas para melhorar a vida da população e evitar que o país volte ao mapa da fome. Em sua visão, o aumento da dívida federal é explicado, em parte, pelos juros altos.

Durigan também disse esperar que os efeitos do novo Desenrola sejam sentidos em conjunto com a queda da taxa de juros, como aconteceu com os meses seguintes ao lançamento da primeira fase do programa, em 2023.

Segundo o ministro, a retomada da alta dos juros em meados de 2024 contribuiu para o novo avanço da inadimplência.

O ministro explicou que o governo aprendeu com erros da primeira versão do programa e facilitou o acesso à plataforma de renegociação, incluindo a possibilidade de os bancos procurarem diretamente os devedores.

Outro aperfeiçoamento citado por ele foi a possibilidade de bloquear o gasto daquela pessoa com as casas de apostas após a adesão ao programa.

O ministro também indicou seu desejo de que a rejeição ao nome de Jorge Messias como ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) não influencie a pauta econômica no Congresso Nacional. Ele afirmou que seu compromisso é tratar das questões econômicas para o futuro do país, sem a aprovação de pautas-bombas.

O chefe da Fazenda classificou o caso Master como grave e defendeu a punição dos envolvidos. Em sua visão, a responsabilidade principal é da gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que foi quem permitiu e autorizou a operação do Banco Master por Daniel Vorcaro.

“A responsabilidade é de quem acompanhou esse processo no Banco Central, da autorização até as últimas aquisições de banco, de 2019 a 2024, que foi na gestão do Banco Central anterior, a responsabilidade primordial pode ter outras”, pontuou Durigan.

O ministro disse que não é atribuição do governo federal salvar o BRB (Banco de Brasília) e que este é um problema do governo do Distrito Federal. O banco estadual busca soluções para evitar sua liquidação após uma série de operações com o Banco Master que geraram um rombo de pelo menos R$ 12 bilhões.

Durigan defendeu que o governo só entre nas conversas por uma resolução dos problemas do BRB quando houver risco sistêmico apontado pelo Banco Central. Para ele, não é possível usar dinheiro público para salvar um banco que fez negócios sem explicação.

“O BRB fez operações que quebraram o banco. A responsabilidade é do GDF. Se não tiver risco sistêmico, existem os mecanismos para lidar com isso e não tem que se falar em intervenção especial e ajuda do Tesouro.”

Durigan também comentou sobre os problemas financeiros dos Correios, que deve chegar a um rombo de R$ 10 bilhões neste ano. Ele defendeu que é necessário encontrar uma solução para estancar a crise no serviço postal brasileiro e afirmou que não é contra algum tipo de “flexibilização” da companhia, como a criação de uma joint venture ou de parcerias com o setor privado, por exemplo.

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