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Economia

Dólar tem leve alta com exterior e eleição presidencial no radar

Após máxima de R$ 5,0433, no início da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,18%, a R$ 5,0279

Redação Jornal de Brasília

21/10/2026 18h40

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

São Paulo, 21 – Após três pregões consecutivos de baixa, em que recuou 1,33% e flertou com o rompimento do piso de R$ 5,00, o dólar exibiu leve alta nesta quarta-feira, 21. A percepção de uma corrida eleitoral muito acirrada às vésperas do segundo turno, somada ao ambiente adverso para divisas latino-americanas, levou a um movimento de ajustes e realização de lucros, segundo operadores.

“O mercado estava mais otimista nos últimos dias com a possibilidade de alternância de poder, mas as pesquisas, em geral, estão vindo muito apertadas. Isso segura o dólar acima de R$ 5,00”, afirma o economista Fabrizio Velloni.

Após máxima de R$ 5,0433, no início da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,18%, a R$ 5,0279. Na terça-feira, a divisa fechou no segundo menor nível desde o primeiro turno da eleição presidencial. O dólar acumula baixa de 0,90% na semana e recua 2,84% em outubro, o que eleva as perdas no ano a 8,40%.

Entre os levantamentos divulgados nesta quarta, destaque para a pesquisa da Quaest, que mostrou oscilação das intenções de voto em Flávio Bolsonaro, de 46% para 45%. O candidato do PL se mantém numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se manteve com 44% – um quadro que configura empate técnico.

“Tivemos um ajuste técnico no dólar devido à incerteza eleitoral após a pesquisa da Quaest, que é contrabalançada por outras pesquisas que apontam, em média, vantagem de dois pontos porcentuais para a candidatura da oposição”, afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, em referência a sondagens como a Meio/Ideia, que traz Flávio com 48% contra 46% de Lula.

Para o diretor global de derivativos e câmbio na Hedgepoint Global Markets, Guilherme Marques, o comportamento recente do dólar pode ser classificado como “lateralizado”, com moeda rodando pouco acima de R$ 5,00.

“Temos uma leve alta com o mercado digerindo as pesquisas, que mostram uma eleição parelha”, afirma Marques, ponderando que o ambiente de juros mais altos nos Estados Unidos, com avanço das taxas dos Treasuries, é desfavorável a divisas emergentes.

Embora veja o dólar “lateralizado”, Marques ressalta que medidas de volatilidade implícita estão nos maiores níveis desde a crise financeira de 2028, o que sugere oscilações mais fortes da moeda após o segundo turno da eleição presidencial.

“Podemos ver no pós-eleição uma variação de 2,5% no câmbio, para cima ou para baixo, ou seja, algo entre 10 e 12 centavos”, afirma o diretor da Hedgepoint, que não vê uma disparada do dólar em caso de reeleição de Lula. “A manutenção do atual governo já está um pouco precificada. Em caso de troca, pode ter uma empolgação maior que jogue o dólar mais para baixo”.

À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total na semana passada (de 13 a 16) foi positivo em US$ 1,933 bilhão, com entrada líquida de US$ 1,889 bilhão via comércio exterior e de US$ 44 milhões pelo segmento financeiro, que abrange investimentos em carteira. Na primeira semana após a realização do primeiro turno (entre 5 e 9), com a surpreendente dianteira de Flávio, houve entrada líquida de US$ 4,127 bilhões pelo canal financeiro.

Bolsa

O Ibovespa acentuou queda na tarde desta quarta-feira, 21, e fechou quase 3 mil pontos abaixo da máxima intradia, diante da cautela após pesquisa Quaest do dia mostrar disputa eleitoral mais acirrada. Como as alocações na renda variável mostram aposta majoritária de vitória da oposição – vista pelo mercado financeiro como mais fiscalista -, levantamentos que mostram ganhos à campanha petista desenrolam em ajustes de curto prazo, segundo operadores.

Assim, a Bolsa doméstica ignorou completamente a alta dos índices de Nova York e nem mesmo a virada das ações do petróleo Brent para o positivo no pregão eletrônico ajudaram o Ibovespa, vide Petrobras em baixa de 0,15% (ON) e 0,79% (PN). O índice cedeu 0,86%, aos 206.495,23 pontos, com giro financeiro de R$ 24,6 bilhões, após mínima aos 205.988,00 pontos à tarde e máxima (209.244,71) pela manhã.

A pesquisa Quaest divulgada nesta manhã mostrou que a vantagem do senador Flávio Bolsonaro diminuiu de 2 pontos porcentuais para 1 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 45% das intenções de voto para o candidato do PL versus 44% do petista. Também mostrou que a rejeição de Lula cedeu de 53% para 47%, queda mais brusca do que a oscilação de 54% a 52% para Flávio, dentro da margem de erro.

Para o economista-chefe da Nomos Investimentos, Beto Saadia, o movimento reflete uma mistura entre cautela maior após a enquete e uma realização de lucros, aproveitando que o índice fechou na terça no segundo maior nível desde o primeiro turno. “O fato de a rejeição de Lula ter caído mais do que a de Flávio traz preocupações, principalmente porque começou na mídia um termo chamado de ‘anti-bolsonarismo de chegada’, que menciona que os votos brancos e nulos que se abstiveram podem eventualmente comparecer às urnas e votar em Lula”, avalia.

O sócio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, avalia que o mercado está mais posicionado, no curto prazo, para a vitória de Flávio Bolsonaro. “Hoje está tendo mal estar, porque a pesquisa Quaest trouxe um cenário confuso.”

Na tese do mercado financeiro, uma eventual reeleição de Lula diminuiria as chances de um ajuste fiscal crível. Para Junior, “é ilusão achar que Flávio vai fazer gestão fiscal dos sonhos”, mas a expectativa é de que consiga convencer que irá endereçar as contas públicas num projeto de oito anos, de prazo mais longo

“O Ibovespa, definitivamente e sem dúvida, está reagindo ao noticiário político. Os investidores estão se posicionando de acordo com as probabilidades de vermos as contas públicas brasileiras sendo ajustadas”, afirma o head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier.

Fora Petrobras, entre as blue chips houve queda de 2% da Vale, apesar do minério de ferro perto da estabilidade, e as ações dos bancos operaram mistas, de -1,41% na Unit do BTG Pactual até alta de 0,90% para Unit do Santander Brasil.

Juros

Embora a atenção dos investidores esteja concentrada no desfecho da disputa presidencial às vésperas do segundo turno, os juros futuros exibiram dinâmica distinta dos demais ativos domésticos nesta quarta-feira, 21, com oscilações estreitas e pouca direção As taxas firmaram tendência mais clara de baixa modesta somente rumo ao final da sessão, na esteira de gatilhos vindos do exterior.

Os vencimentos médios e longos chegaram a virar para o terreno positivo após os Treasuries renovarem máximas, em seguida à notícia de que o Departamento de Estado dos EUA se prepara para ordenar a saída de parte dos funcionários e de seus familiares das embaixadas americanas em países do Golfo Pérsico. A piora, contudo, teve fôlego curto, sendo apaziguada depois de o presidente Donald Trump afirmar que “talvez estejamos agora mais perto do que nunca de pôr fim à guerra” entre Rússia e Ucrânia.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,483%, no ajuste da véspera, a 13,473%. O DI para janeiro de 2029 oscilou a 12,560%, vindo de 12,562% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 recuou de 12,637% a 12,590%.

Os DIs percorreram boa parte do pregão oscilando entre viés de alta e de queda, alheios aos mercados de câmbio e de ações, que aprofundavam perdas em reação ao ligeiro acirramento da disputa eleitoral. Para profissionais do mercado, o comportamento, apesar de ter destoado dos demais ativos, não fugiu da normalidade e também não teve condutores firmes. “Acho que está tudo dentro da volatilidade normal. Sem nada para destacar”, disse um economista de uma grande tesouraria.

Publicada nesta manhã, a Quaest mostrou que Flávio Bolsonaro e o presidente Lula seguem tecnicamente empatados, mas a vantagem numérica de Flávio frente a Lula caiu de dois pontos porcentuais para um ponto agora. A proporção de intenção de votos no senador passou de 46% a 45%, enquanto o petista se manteve com 44%. A rejeição de ambos os candidatos recuou, mas a de Lula caiu 6 pontos, e a de Flávio oscilou 2 pontos, dentro da margem de erro

“Neste momento, a maioria das pesquisas de segundo turno sugere que Flávio tem uma ligeira vantagem sobre Lula, embora praticamente todos os institutos indiquem empate técnico, já que os resultados ficam dentro da margem de erro, o que torna o desfecho altamente incerto”, afirma em relatório o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski.

A despeito da incerteza e da proximidade entre os dois candidatos nas pesquisas, o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, afirma que, em conversas com gestores e brokers, tem percebido que a convicção sobre uma alternância de poder em 2027 – que traria, aos olhos do mercado, uma disciplina fiscal maior – se mantém elevada. “O pessoal quer ir para eleição posicionado, imaginando que pode ganhar ainda mais”, apontou, o que, em sua visão, pode explicar o relativo descompasso entre os DIs e os demais mercados nesta quarta.

Economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho nota que outras pesquisas privadas – como Futura, Palver e Meio Ideia – apontaram em média um diferencial de 2 pontos para a candidatura da oposição, sendo que o índice da plataforma de apostas PolyMarket sinalizava probabilidade superior a 70% para uma vitória de Flávio.

Estadão Conteúdo

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