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Economia

Dólar tem forte queda e Bolsa avança em dia de menor aversão a ativos de risco

Às 15h36, a moeda norte-americana caía 0,83%, cotada a R$ 5,216

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 16h14

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar está em queda de quase 1% nesta quarta-feira (4), em movimento de correção após uma forte aversão ao risco tomar as negociações na véspera.

Investidores seguem atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, de olho nas implicações para o mercado de energia. Na Bolsa, a alta também deriva de ajustes de posições depois do tombo de mais de 3% de terça-feira.

Às 15h36, a moeda norte-americana caía 0,83%, cotada a R$ 5,216. O Ibovespa, no mesmo horário, avançava 0,94%, a 184.842 pontos.

Apesar da crise no Oriente Médio estar longe de um desfecho, investidores globais parecem mais dispostos a apostar em ativos de risco nesta sessão.

Nesta quarta, o jornal The New York Times publicou que agentes do Ministério da Inteligência do Irã sinalizaram à CIA uma abertura para negociações sobre o fim da guerra, em curso desde o final de semana.

Autoridades em Washington, porém, estão céticas quanto à possibilidade de o Irã ou o governo do presidente Donald Trump estarem realmente dispostos a uma saída, pelo menos no curto prazo, de acordo com a reportagem. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, chegou a afirmar que as Forças Armadas norte-americanas poderão lutar pelo tempo que for necessário.

A incerteza sobre a duração do conflito se soma a dúvidas sobre os efeitos dos ataques no mercado de energia. Horas depois de Trump dizer que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz, a Guarda Revolucionária do Irã disse que o país controla a passagem pelo canal, via por onde passam 20% do petróleo e gás do mundo.

“Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica”, disse nesta quarta.

Teerã afirmou ter fechado o estreito de Hormuz na segunda-feira. O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.

A escalada militar está empurrando as cotações internacionais do petróleo para patamares que não eram vistos desde janeiro de 2025. O barril do Brent, principal referência de preço internacional, opera próximo de US$ 81, após avanço de cerca de 12% em dois dias.

A queda de 0,1% desta quarta reflete uma realização por parte dos investidores tendo em vista as disparadas dos dias anteriores. Em resposta, as ações da Petrobras estão em queda de 1,5% no pregão da B3.

O movimento de correção se soma ao de outros ativos, como o dólar, que registra perdas ante divisas de emergentes como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o real. O índice DXY, que compara o dólar a seis moedas fortes, também recuava 0,22%.

No entanto, os próximos eventos da guerra são imprevisíveis. “Não é possível afirmar que o pior do conflito passou e, por isso, há risco da cotação (do dólar) seguir subindo”, alerta o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.

No Brasil, o destaque da manhã é a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e também teve como alvos o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana. Souza foi afastado do BC e precisará usar tornozeleira eletrônica.

A determinação de prisão preventiva (sem tempo determinado) é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

A decisão foi tomada porque a Polícia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.

Foram cumpridos os quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e de Minas Gerais, com o apoio do BC.

Liquidado pelo BC em novembro, Master já causou perdas de mais de R$ 50 bilhões a diferentes entidades, includindo o Fundo Garantidor de Créditos e fundos de pensão.

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