SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar está em alta nesta quinta-feira (26), com investidores analisando resultados da temporada de balanços corporativos.
A Nvidia, uma das “Sete Magníficas” dos Estados Unidos e atualmente a empresa com maior valor de mercado do mundo, reportou lucro líquido de US$ 120 bilhões no ano fiscal de 2025, acima do esperado.
No Brasil, a temporada de balanços corporativos também repercute na Bolsa, que nas últimas semanas tem atraído forte fluxo estrangeiro, com efeitos no câmbio.
Às 11h52, a moeda norte-americana subia 0,52%, cotada a R$ 5,157, após cinco sessões seguidas de queda. O Ibovespa, por outro lado, marcava perdas de 0,72%, a 189.865 pontos, sob pressão da Vale e da Petrobras. A queda do preço do petróleo no exterior também afeta as cotações.
Impulsionada pela onda de investimentos em inteligência artificial, a Nvdia afirmou que espera faturar US$ 78 bilhões no trimestre atual, bem acima da estimativa de consenso de US$ 72,1 bilhões compilada pela Visible Alpha.
A companhia registrou receita de US$ 68,1 bilhões no último trimestre do ano fiscal encerrado no fim de janeiro, alta de 73% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima das expectativas de Wall Street, que projetavam US$ 66,2 bilhões, e de sua própria previsão anterior, de cerca de US$ 65 bilhões.
Os números, à princípio, são uma boa notícia para os investidores de IA, que estão de olho no desempenho da Nvidia para avaliar se as centenas de bilhões de dólares que as grandes empresas de tecnologia estão investindo em infraestrutura de data centers estão valendo a pena.
Hiperescaladores, incluindo Meta um grande cliente da Nvidia, previram investimentos de pelo menos US$ 630 bilhões em 2026, com a maior parte dos gastos destinados a data centers e processadores.
“Fica claro, a partir dos dados mais recentes da Nvidia e de suas previsões, que as preocupações com uma desaceleração da IA simplesmente ainda não estão aparecendo”, disse Bob O’Donnell, analista-chefe da TECHnalysis Research.
Os resultados foram divulgados após semanas de volatilidade nos mercados, provocada por temores sobre como a IA pode transformar indústrias tradicionais e por preocupações com os gastos astronômicos das big techs. Apesar dos números, o balanço não motivava uma busca maior por ativos de risco nesta quinta-feira, pelo menos por enquanto.
Já no Brasil, balanços da Marcopolo e da Rede D’Or são destaque.
Maior fabricante de carrocerias de ônibus da América Latina, a Marcopolo divulgou lucro líquido de R$ 341,7 milhões no quarto trimestre, valor acima das expectativas de analistas e 7,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As ações subiam 5%.
A Rede D’Or, por outro lado, caía 5,3%, mesmo reportando lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, avanço de 39,2% sobre o mesmo período de 2024.
Vale e Petrobras também estão no negativo nesta sessão. As perdas de mais de 2% da mineradora refletem um movimento de realização de lucros, após forte alta registrada na véspera. A companhia já subiu 25% desde o início do ano.
Petrobras caía 1,2%, puxada, principalmente, pelo desempenho do petróleo no exterior. O barril do Brent perdia mais de 1,5% na Bolsa de Londres, ficando abaixo de US$ 70 pela primeira vez em dez dias.
Os investidores acompanham as negociações entre EUA e Irã, que podem ameaçar o fornecimento do combustível fóssil. Representantes dos dois países se reúnem nesta quinta-feira com o objetivo de resolver a disputa nuclear de longa data e evitar novos ataques americanos ao Irã após uma mobilização militar em larga escala.
Aqui, a corrida eleitoral também ronda as mesas de operação. A pesquisa Atlas/Bloomberg na véspera mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em simulações de segundo turno da disputa presidencial.
No cenário de segundo turno, Flávio aparece com 46,3%, contra 46,2% de Lula. Já Tarcísio soma 47,1%, ante 45,4% do atual presidente. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos.
“O mercado tende a reagir de forma mais positiva a candidatos percebidos como mais alinhados a uma agenda liberal, com foco em privatizações e pautas pró-mercado”, afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.