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Economia

Dólar e Bolsa sobem com taxa de desemprego e Jackson Hole no radar

Moeda americana avançava 0,16% nesta quinta-feira, enquanto Ibovespa recuava; investidores também monitoram juros nos EUA e tensão no estreito de Hormuz

Redação Jornal de Brasília

27/08/2026 12h12

dolar

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar sobe nesta quinta-feira (27) com investidores reagindo a dados do mercado de trabalho brasileiro e de inflação dos EUA.

Os analistas também acompanham as incertezas sobre o controle do estreito de Hormuz, importante rota para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.

Às 11h20, a moeda norte-americana avançava 0,16%, cotada a R$ 5,161. No mesmo horário, a Bolsa recuava 0,19%, a 174.240 pontos.

Nesta manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que a taxa de desemprego do Brasil recuou a 5,3% no trimestre até julho, após marcar 5,8% nos três meses encerrados em abril.

O indicador é o menor para o trimestre encerrado em julho desde o início da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012.

Para Rafael Perez, economista da Suno Research, os dados reforçam a resiliência do mercado de trabalho brasileiro.

“Permanece como um desafio para o cenário inflacionário e para a condução da política monetária. A combinação entre desemprego historicamente baixo, massa salarial em níveis recordes e rendimentos em recuperação tende a dificultar uma desaceleração mais consistente dos preços”, afirma.

Na última quarta-feira (27), o IBGE mostrou que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação de 0,4% em agosto. A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos.

Segundo economistas consultados pelo Boletim Focus, a previsão é de que o IPCA encerre 2025 a 5,02%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o indicador. Para os analistas, a Selic, taxa básica de juros brasileira, deve terminar a 13,75% ao ano -redução de 0,25% em relação ao patamar atual de 14%.

Uma Selic mais baixa tende a beneficiar a Bolsa e outros ativos de renda variável. A queda dos juros, contudo, diminui a atratividade da estratégia de carry trade, isto é, tomar recursos em economias com taxas mais baixas, como a americana, e aplicá-los na brasileira para lucrar com essa diferença percentual.

Também esteve no radar dos investidores um “casadão” do BC no mercado cambial. A autarquia anunciou dois leilões simultâneos: um de venda à vista de dólares e outro de swap cambial reverso.

A venda foi de US$ 1 bilhão à vista e, simultaneamente, 20 mil contratos de swap cambial reverso, no mesmo valor.

O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.

Essas operações são realizadas para injetar liquidez no mercado à vista.

No exterior, o mercado está em compasso de espera pelo simpósio anual do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) em Jackson Hole. O evento terá discurso do presidente da instituição, Kevin Warsh, na sexta-feira (28), e deve trazer novas sinalizações sobre a trajetória dos juros americanos.

Warsh deve comentar os indicadores inflacionários dos últimos dias. Nos EUA, o índice de preços PCE subiu 3,7% nos 12 meses até julho. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 3,6% para o PCE.

A inflação anual dos Estados Unidos permanece acima da meta de 2% do Fed e reforça as expectativas de juros mais altos, favorecendo o dólar e outros ativos americanos.

“A fala de Warsh será particularmente importante devido ao posicionamento considerado enigmático no último comunicado do Fed. Os investidores ainda não têm uma visão consolidada sobre como a instituição irá atuar no curto prazo e qual será a trajetória dos juros nos próximos meses”, diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

Investidores também mantêm no radar as negociações envolvendo a guerra no Irã. Na quarta, Teerã anunciou ter chegado a um acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, a estratégica via marítima por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do atual conflito.

Segundo o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes do arranjo sejam finalizados, o que não ocorreu ainda. A declaração aumentou a dúvida sobre o anúncio, já que, segundo a Guarda Revolucionária, a medida só será implementada quando os EUA concordarem com seus termos.

Nesta quinta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse não haver negociações em andamento entre Washington e Teerã.

Lá fora, destaque ainda para o desempenho da Nvidia. A empresa registrou receita acima do esperado, de US$ 96,2 bilhões, no trimestre encerrado em julho, e projetou vendas de cerca de US$ 108 bilhões para o trimestre atual, superando a estimativa de Wall Street de US$ 104 bilhões.

O resultado impulsiona as Bolsas americanas durante a sessão. Por volta das 11h, a S&P500 subia 0,47% e Nasdaq avançava 0,93%.

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