JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
O dólar está em alta nesta sexta-feira (18), com investidores repercutindo a nova pesquisa Datafolha, que mostra a intenção de voto por segmentos do eleitorado. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, o presidente Lula (PT) tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 29% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Às 15h21, a moeda norte-americana registrava alta de 0,15%, cotada a R$ 5,147. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía 0,46%, aos 185.120 pontos.
A diferença entre os candidatos configura empate técnico nessa faixa etária, uma vez que a margem de erro é de seis pontos percentuais para mais ou para menos. Na pesquisa anterior, divulgada na sexta-feira (11), Lula tinha 36%, enquanto Flávio Bolsonaro somava 34%.
O mercado também acompanha os leilões de linha anunciados pelo Banco Central. Iniciadas às 10h30, as duas operações simultâneas somam US$ 1 bilhão. Os leilões consistem na venda de dólares com compromisso de recompra e buscam dar liquidez ao mercado à vista.
Além das eleições, o cenário fiscal segue no radar dos investidores após o anúncio de reajuste de 15,04% no Bolsa Família, feito na véspera (17) pelo presidente Lula a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais.
Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, afirma que o cenário fiscal voltou a disputar protagonismo com a inflação. O governo anunciou o aumento, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027.
O Ministério da Fazenda afirma que a despesa será acomodada no orçamento e não alterará a meta fiscal. Para Olívia, o mercado acompanha o financiamento do gasto público, a trajetória da dívida e possíveis impactos sobre as expectativas, os juros longos e o câmbio. Ela adiciona que os investidores observam não apenas o volume de despesas, mas também como serão financiadas.
O mercado acompanha ainda a cotação do petróleo Brent. Às 15h25, o barril era negociado a US$ 103, com queda de 1,01%.
A baixa ocorre em meio à diminuição dos ataques entre os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e forças militares da Arábia Saudita, além de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o fim do conflito com o Irã está próximo.
Nesta quinta, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que o país permitirá a participação da delegação iraniana na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na semana que vem.
Por outro lado, uma missão de investigação da ONU sobre o Irã afirmou também na véspera ter motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos estão por trás de dois ataques militares contra uma escola em Minab, no sul do Irã, e uma instalação esportiva no país, em fevereiro. Segundo a missão, os atos constituíram crimes de guerra .
A missão também concluiu que autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão mortal aos protestos contra o regime.
Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, afirma que a combinação entre a queda do petróleo e o recuo dos rendimentos dos Treasuries americanos nos últimos dias tem contribuído para melhorar o ânimo do mercado acionário. O movimento ocorreu após o rendimento do título de dez anos atingir 5,017%, o maior nível desde outubro de 2023.
Nesta sexta-feira, porém, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir. Às 15h30, o yield do Treasury de dez anos estava em 5%, com alta de 1,11%.
Em Wall Street, as Bolsas operam em baixa. O S&P 500 tinha queda de 0,06%, enquanto o Dow Jones recuava 0,22% e o Nasdaq tinha leve alta de 0,02%.
Segundo Benati, outro fator que repercute nos mercados é a decisão de juros do Japão. O Banco do Japão elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1,25%, o maior nível desde 1995.
Ainda assim, o iene começou o dia em queda. Às 15h34, a moeda japonesa recuava 0,23% em relação ao real. De acordo com o estrategista, o movimento reflete a expectativa frustrada de uma comunicação mais dura (hawkish) por parte do presidente do Banco do Japão. Na avaliação de Benati, a autoridade monetária deixou claro que as decisões das próximas reuniões seguem em aberto, sem aumentos previamente definidos.
Além disso, a decisão não foi unânime: dois integrantes do comitê preferiam manter os juros em 1%. Para Benati, a divergência torna mais complexa a possibilidade de novos aumentos nas próximas reuniões.
Nesse cenário, voltou a ser mencionada a possibilidade de intervenções conjuntas do Japão e dos Estados Unidos para tentar sustentar o iene.
No Brasil, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registravam leves altas, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
Às 10h08, a taxa do DI para janeiro de 2028 subia 0,03 ponto percentual, para 13,65%. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do contrato para janeiro de 2035 avançava 0,02 ponto percentual, para 14,22%.
Ainda nesta sexta, a Berkshire Hathaway informou que Warren Buffett deixará, com efeito imediato, o cargo de presidente do conselho de administração do conglomerado e passará a ser presidente emérito.
Ele será substituído pelo filho, Howard Buffett, conselheiro da companhia desde 1993.
Por volta das 15h35 (horário de Brasília), as ações de classe B, as mais negociadas, avançavam 0,53%, cotadas a US$ 511,89. Na véspera, os papéis da Berkshire haviam caído 2,04%.
Dólar sobe e Bolsa cai com pesquisa Datafolha e cenário fiscal no radar
Às 15h21, a moeda norte-americana registrava alta de 0,15%, cotada a R$ 5,147
Foto: Dmytro Varavin/ Getty Images