JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS
O dólar está em leve alta nesta quarta-feira (21), com investidores repercutindo os resultados da nova pesquisa Quaest sobre o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Às 11h18, a moeda avançava 0,16%, cotada a R$ 5,026. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, operava próximo da estabilidade.
O Ibovespa também opera próximo da estabilidade. No mesmo horário, o principal índice do mercado acionário brasileiro tinha leve alta de 0,05%, aos 208.181 pontos.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 44%.
Em relação ao levantamento da semana passada, Flávio oscilou um ponto percentual para baixo, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, enquanto Lula manteve o mesmo percentual. O resultado indica empate técnico entre os candidatos. Votos em branco ou nulo somaram 9%, enquanto 2% dos entrevistados estavam indecisos.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o mercado esperava que os números da pesquisa ajudassem a confirmar a percepção de vantagem numérica do senador, ainda que em empate técnico.
“A expectativa ganha peso porque a Bolsa brasileira vem de uma sessão de forte alta, impulsionada justamente pelo chamado trade eleitoral, com avanço de 1,57%”, afirma o especialista.
A expectativa de alternância de poder tem favorecido os ativos brasileiros, diante de apostas em mudanças na condução da política econômica, sobretudo na área fiscal. A possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, apontado por analistas como um dos fatores por trás da valorização recente da Bolsa e do real.
No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte à votação.
Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirma que o Ibovespa começou a sessão em tom de cautela, buscando definir uma direção após os avanços registrados no início da semana. Segundo ela, os investidores também aguardam a divulgação de indicadores econômicos importantes ao longo do dia, tanto no Brasil quanto no exterior.
No cenário doméstico, a atenção do mercado também se volta à pauta fiscal e aos desdobramentos políticos, além dos sinais sobre a trajetória dos juros e da postura do BC (Banco Central) em relação à inflação, acrescenta a estrategista.
O mercado de juros futuros opera em leve queda. Às 11h21, os contratos com vencimento em janeiro de 2028 eram negociados a 12,750%, com recuo de 0,02 ponto percentual. Na ponta longa da curva, os contratos para janeiro de 2035 estavam em 12,710%, em queda de 0,04 ponto percentual.
Em Wall Street, as Bolsas operam em alta, com investidores retomando o otimismo em relação às ações de tecnologia após empresas divulgarem resultados acima das expectativas na véspera.
Segundo Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos e conteúdo da Avenue, os resultados da Super Micro e da SpaceX estão entre os destaques positivos. “A SpaceX registrou lucro superior a US$ 4 bilhões, enquanto o mercado esperava cerca de US$ 1,88 bilhão. A reação foi expressiva, e os papéis da companhia avançam mais de 8% no pré-mercado”, afirma a especialista.
Na contramão, as ações da Netflix recuavam mais de 3%. Apesar de os resultados divulgados na véspera terem ficado em linha com as expectativas, as projeções da empresa para o próximo trimestre vieram abaixo do esperado, pressionando os papéis, que já acumulam queda superior a 20% em 2026, diz Benvenuto.
No mercado de petróleo, os preços seguem sob pressão em meio às incertezas no Oriente Médio. Às 11h24, a commodity operava perto da estabilidade, mas permanecia em patamar elevado, cotada a US$ 108,78.
No mercado de títulos públicos americanos, os Treasuries também apresentavam pouca variação. Os papéis de dez anos tinham leve queda de 0,04%, com rendimento de 5,106%, enquanto os títulos de 30 anos ofereciam retorno de 5,416%, em baixa de 0,06%. Os rendimentos desses títulos servem de referência para o custo de crédito nos Estados Unidos e influenciam os mercados globais.
A próxima reunião do Fed (Federal Reserve, banco central americano) está marcada para os dias 27 e 28 de outubro. O mercado passou a precificar a manutenção dos juros nessa reunião, em vez de um corte ou de uma mudança na taxa já em outubro, e concentra as apostas em uma possível redução em dezembro.
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 85,1% dos investidores esperam a manutenção da taxa, enquanto 14,9% projetam uma elevação para a faixa entre 4% e 4,25%.