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Economia

Dólar sobe e Bolsa cai com conflito no Oriente Médio e payroll em foco

Busca por ativos de segurança em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pressiona mercados, enquanto relatório de empregos reforça temores de desaceleração da economia americana

Redação Jornal de Brasília

06/03/2026 12h59

Foto: Justin Sullivan/AFP

Foto: Justin Sullivan/AFP

FOLHAPRESS

O dólar sobe nesta sexta-feira (6), com o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, no Oriente Médio, incentivando uma maior busca por ativos de segurança.

O relatório de empregos dos Estados Unidos referente a janeiro também está no radar dos investidores.
Às 11h31, a moeda norte-americana subia 0,27%, cotada a R$ 5,302. No mesmo horário, a Bolsa caía 0,51%, a 179.526 pontos, apesar das ações da Petrobras e do setor de energia.

O mercado de trabalho dos Estados Unidos surpreendeu negativamente analistas em fevereiro. No mês, foram fechadas 92 mil vagas de trabalho, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (6). Economistas consultados pela Reuters previam a criação de 59 mil vagas.

Além disso, houve uma revisão dos dados do mês de janeiro. Em vez de 130 mil vagas, como reportado anteriormente, foram criadas 126 mil. A taxa de desemprego subiu para 4,4% em fevereiro, de 4,3% em janeiro.

Os dados exercem pressão sobre o dólar por elevarem temores da economia norte-americana estar desacelerando. Isso pode reforçar a tendência do Fed (Federal Reserve), banco central dos EUA, a antecipar cortes de juros, o que desvaloriza a moeda americana.

“Esse ambiente cria um desafio relevante para o Fed e retoma um debate que vem ganhando força desde 2025: o aumento das incertezas em torno da economia e da moeda americana”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

O conflito no Oriente Médio também permanece no radar. Apesar do resultado do payroll, a guerra entre EUA e Israel contra o Irã continua impactando os preços.

A busca de segurança em meio à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã valoriza a moeda norte-americana globalmente. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,35% às 11h10.

“O cenário permanece marcado por elevada incerteza. A escalada do conflito envolvendo o Irã, com potencial impacto sobre preços de energia e inflação global, adiciona um novo elemento de risco ao ambiente macro, deixando o Fed diante de um quadro mais complexo”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Principal catalisadora para as movimentações globais, a disparada do petróleo representa um risco de repique inflacionário. No Brasil, distribuidoras e refinarias começaram a repassar a alta de custos aos clientes.

O Irã responde por 3% da produção global da commodity, mas detém ainda mais influência sobre o mercado de energia por causa de sua posição estratégica às margens do estreito de Hormuz, via por onde passam 20% de todo petróleo e gás do mundo.

A campanha dos Estados Unidos e Israel contra o Irã tem se intensificado. Nesta manhã de sexta, Israel disse que 50 de seus caças destruíram o que havia sobrado do bunker de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto no último sábado (28). Foram lançadas cerca de cem bombas no local, que estava sendo usado por autoridades iranianas.

Na noite de quinta (5), o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que “o poder de fogo sobre o Irã e Teerã está prestes a aumentar dramaticamente”.

Em paralelo, Trump afirmou que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz. A retórica, porém, foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, que disse que o país controla a passagem pelo canal. “Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica”, disse na quarta.

O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.

O conflito, que tem ganhado cada vez mais contornos de guerra regional, respinga também em empresas do mercado de energia. Duas refinarias de petróleo na China e na Índia chegaram a fechar suas unidades de petróleo bruto após a interrupção no abastecimento, já que ambos os países dependem de importações do Oriente Médio.

As movimentações do mercado de energia valorizaram empresas ligadas ao setor na Bolsa brasileira. Braskem, Prio e Brava avançavam 3,54%, 5,17% e 3,02% às 11h20. A Petrobras também subia, com papéis preferenciais da estatal tendo alta de 3,53%.

Nos demais mercados globais, o movimento é de recuo. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, tinha perda de 1,75%, às 11h20. Nos EUA, as três maiores Bolsas também tinham baixa antes da abertura do mercado, com a Nasdaq registrando perda de 0,41%, a Dow Jones, de 0,27%, e a S&P 500, de 0,34%.

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