FOLHAPRESS
O dólar sobe nesta quarta-feira (13) com dados inflacionários dos EUA acima do esperado elevando as previsões de juros mais altos no país e fortalecendo a moeda norte-americana, o que pressiona moedas de mercados emergentes, como o real.
Investidores também acompanham à viagem do presidente dos EUA, Donald Trump, à China. O encontro está previsto para durar até sexta-feira (15) e deve tratar do conflito no Oriente Médio.
Por volta das 14h30, a moeda norte-americana subia 0,25%, a R$ 4,906. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outros seis pares fortes, também avança 0,20%.
No mesmo horário, a Bolsa de Valores recuava 0,30%, a 179.792 pontos.
O pregão traz uma sensação de déjà vu. Isso porque, assim como na véspera, dados inflacionários voltam a pressionar o mercado e a gerar maior aversão a ativos de risco.
Nessa quarta, o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho divulgou que o índice dos preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) aumentou 1,4% em abril. O avanço foi bem superior do que a projeção dos economistas consultados pela Reuters, que previam alta de 0,5%. A alta foi o maior desde março de 2022.
Os dados se somam a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) de abril, divulgados na terça-feira (12). O indicador, que mede os preços pagos pelas famílias em itens como alimentação e saúde, avançou para 3,8% no mês, seu maior nível em três anos.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o relatório reforça o cenário de inflação persistente nos EUA e aprofunda o dilema do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
“O repasse dos custos de energia para os preços no nível do produtor está claramente em curso e o risco é que esse movimento continue se espalhando para consumidores finais, à medida que empresas repassam pressões de logística e insumos”.
Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que os dados mostram uma inflação aquecida nos EUA, o que sugere pressão sobre os preços repassados ao consumidor nos próximos meses.
“Isso reduz bastante a possibilidade de corte de juros no curto prazo. […] A ideia de que as taxas americanas permanecerão elevadas por mais tempo favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano, ajuda na atração de capital externo para os Estados Unidos e fortalece o dólar globalmente, pressionando moedas emergentes como o real”.
Durante a manhã, o rendimento dos títulos do Tesouro americano a 10 anos atingiram os níveis mais altos desde julho de 2025, ao chegar a 4,48%.
O pano de fundo da alta inflacionária do país é a guerra do Oriente Médio. O conflito pressiona as cotações do petróleo a adiciona incertezas as cadeias globais de insumos.
Além do efeito nos combustíveis, há o temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos insumos da cadeia produtiva. O transporte de fertilizantes, outra matéria-prima do agronegócio, também tem sido afetado pela guerra.
Nessa quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou à China, onde se reunirá com o líder chinês, Xi Jiping. Eles deverão discutir assuntos considerados sensíveis, incluindo a guerra no Irã.
A resolução do conflito permanece distante. Na segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos”, após rejeitar a contraproposta do Irã para encerrar a guerra.
No mesmo dia, Teerã disse que não há solução a não ser a sua para o fim da guerra. Segundo Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, “não há alternativa a não ser aceitar os direitos do povo iraniano tal como estão expostos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será infrutífera e resultará em um fracasso após o outro”.
No cenário nacional, analistas avaliam os resultados da pesquisa presidencial Genial/Quest, que apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numericamente na frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.
Em um confronto direto entre os dois no segundo turno, Lula aparece numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, contra 41% de Flávio. Brancos, nulos e quem diz que não vai votar vão a 14%, e indecisos, 3%. Na rodada anterior, de abril, o filho de Jair Bolsonaro registrava 42% das intenções de voto, e Lula, 40%.
O petista também aparece à frente na simulação da primeira etapa, com 39%, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 33%. Brancos, nulos e declarações de que não vão votar somam 10%. Indecisos são 5%.
Destaque também para a temporada de balanços do 1º trimestre. Os resultados de Raízen, Banco do Brasil e Rede D’Or serão divulgados após o fechamento do mercado.