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Economia

Dólar ronda estabilidade e Bolsa avança com Oriente Médio e tarifas sobre o Brasil em foco

Às 14h23, a moeda norte-americana marcava variação negativa de 0,02%, cotada a R$ 5,020; Já a Bolsa avançava 1,02%, a 173.964 pontos

Redação Jornal de Brasília

02/06/2026 15h23

dolar e bolsa

Foto: AdobeStock

FOLHAPRESS

O dólar ronda a estabilidade nesta terça-feira (2), em linha com o movimento no exterior, após a notícia de que o Irã está analisando uma proposta de acordo com os Estados Unidos.

No Brasil, o mercado acompanha os desdobramentos do anúncio de que o governo Donald Trump propôs uma tarifa punitiva de 25% sobre diversos produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais desleais.

Às 14h23, a moeda norte-americana marcava variação negativa de 0,02%, cotada a R$ 5,020. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, tinha ganhos de 0,05%, a 99,23 pontos. Já a Bolsa avançava 1,02%, a 173.964 pontos.

O Irã está analisando uma proposta de acordo com os Estados Unidos para encerrar o conflito que já dura mais de três meses, de acordo com uma notícia da agência iraniana Mehr.

O governo iraniano, segundo a fonte ouvida pela agência, está adotando uma abordagem “severa” em relação às tratativas, considerando o que vê como um histórico de não conformidade dos Estados Unidos e desconfiança de longa data.

Já Donald Trump afirmou, na segunda-feira, que as negociações estavam em andamento e que haveria um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Hormuz já na próxima semana.

Trumo tem dito repetidamente que as duas partes estão próximas de assinar um acordo de paz. Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a parlamentares nesta terça-feira que o Irã concordou em negociar aspectos de seu programa nuclear que anteriormente se recusava, mas declarou que isso não é uma garantia de que as conversações levariam a um acordo para acabar com a guerra.

“As notícias vão e voltam toda hora, mas o mercado hoje está com apetite por risco diante da expectativa de um cessar fogo”, diz Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos.

Investidores têm se mostrado reticentes sobre as declarações, sobretudo por causa da contradição entre os discursos iranianos e norte-americanos e a falta de avanços concretos para encerrar o conflito. Os países chegaram a trocar ataques no final de semana, apesar das tratativas.

O mercado anseia pela normalização das cadeias de suprimento globais e do tráfego pelo Estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.

Com o transporte das commodities estrangulado e a subsequente disparada de preços, investidores tem temido um repique inflacionário global —e, por consequência, a manutenção das taxas de juros de algumas das maiores economias do mundo em patamar restritivo, em especial a dos Estados Unidos.

Quando os juros de lá estão elevados, operadores costumam optar pela renda fixa americana, considerada um investimento praticamente livre de risco. Com a expectativa de um cessar-fogo, eles voltam a apostar em ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes.

No noticiário doméstico, o destaque está na conclusão da investigação comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil, no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio, e a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

O novo tarifaço seria uma resposta ao que o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) vê como práticas comerciais injustas do Brasil. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente Trump.
Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sobre o governo Lula.

Por meio de comunicado, o USTR, que é comandado pelo embaixador Jamieson Greer, afirma que propôs medidas de resposta para consulta pública, enquanto os “Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas”.

“Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirma Greer.

O mercado ainda digere a decisão, “sem muitos impactos nos ativos por enquanto”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

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