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Economia

Dólar dispara, e Bolsa recua após discurso de presidente do Fed em Jackson Hole

Às 15h20, a moeda norte-americana subia 0,97%, cotada a R$ 5,214, após atingir alta de 1,29% na máxima, a R$ 5,230

Redação Jornal de Brasília

28/08/2026 13h31

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar sobe forte nesta sexta-feira (28), com investidores adotando maior cautela após o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, afirmar que a instituição terá trabalho a fazer caso a inflação do país continue acima da meta.

A fala de Warsh durante o encontro promovido em Jackson Hole, nos EUA, foi considerada dura e reforçou a perspectiva de uma política monetária mais restritiva, em um momento em que a taxa de juros está na faixa entre 3,5% e 3,75%.

O cenário favorece ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano, e tende a pressionar investimentos de mercados emergentes.

Às 15h20, a moeda norte-americana subia 0,97%, cotada a R$ 5,214, após atingir alta de 1,29% na máxima, a R$ 5,230.

No mesmo horário, a Bolsa recuava após registrar alta no início do pregão. Depois de avançar 0,73% na máxima, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, recuava 0,17%, aos 174.832 pontos.

O discurso também impactou as apostas para a próxima reunião do Fed, marcada para 15 e 16 de setembro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, analistas agora veem 57,5% de probabilidade de uma alta dos juros para o intervalo entre 3,75% e 4%. Antes das falas, a expectativa predominante era de manutenção da taxa.

O foco do pregão está no exterior, com investidores repercutindo o simpósio anual do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) em Jackson Hole. O evento teve discurso do presidente da instituição, Kevin Warsh.

Segundo Warsh, o banco central dos EUA terá trabalho a fazer caso a inflação do país não retorne à meta de 2%. “Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho, nosso mandato e nossa responsabilidade”, disse.

Para Warsh, “o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto” no combate à inflação. O índice de preços PCE, indicador preferido do Fed para mensurar a inflação nos EUA, subiu 3,7% nos 12 meses até julho.

A inflação anual dos Estados Unidos permanece acima da meta de 2% do Fed e reforça as expectativas de juros mais altos. Segundo Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, o comportamento “valoriza o dólar, faz com que os juros brasileiros abram e gera um movimento de realização de curto prazo nos mercados emergentes.”

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o discurso reforçou uma postura mais restritiva do Fed com a inflação novamente no centro das decisões de política monetária dos Estados Unidos. “Ainda que os últimos dados mostrem uma trajetória mais favorável, o índice permanece distante da meta, exigindo cautela da autoridade monetária”.

Segundo Alves, para o investidor brasileiro, a combinação de juros altos nos EUA, fortalecimento do dólar, incerteza eleitoral e fragilidade fiscal doméstica dificulta uma valorização consistente do real. “O ambiente externo oferece pouco suporte à moeda brasileira, tornando sua trajetória cada vez mais dependente do cenário interno”.

Nos EUA, o discurso também impactou os ativos. As Bolsas S&P 500, Nasdaq e Dow Jones recuavam, respectivamente, 0,27%, 0,53% e 0,07%, por volta das 15h.

No mercado de juros, o rendimento do título do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos avançava 6 pontos-base, para 4,729%. A taxa é acompanhada pelos investidores por refletir, entre outros fatores, as expectativas para a trajetória futura dos juros americanos.

Analistas também mantem no radar as negociações envolvendo a guerra no Irã. Na quarta, Teerã anunciou ter chegado a um acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, a estratégica via marítima por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do atual conflito.

Segundo o vice-chanceler Kazem Gharibabadi, o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes do arranjo sejam finalizados, o que não ocorreu ainda. A declaração aumentou a dúvida sobre o anúncio, já que, segundo a Guarda Revolucionária, a medida só será implementada quando os EUA concordarem com seus termos.

Na quinta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse não haver negociações em andamento entre Washington e Teerã.

Investidores ainda repercutem aos dados do IPCA-15 divulgados na última quarta. O IBGE mostrou que o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação de 0,4% em agosto.

A deflação foi a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025 (-0,14%), e a maior em quatro anos.

Segundo economistas consultados pelo Boletim Focus, a previsão é de que o IPCA encerre 2025 a 5,02%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o indicador.

Para os analistas, a Selic, taxa básica de juros brasileira, deve terminar a 13,75% ao ano —redução de 0,25% em relação ao patamar atual de 14%.

Uma Selic mais baixa tende a beneficiar a Bolsa e outros ativos de renda variável. A queda dos juros, contudo, diminui a atratividade da estratégia de carry trade, isto é, tomar recursos em economias com taxas mais baixas, como a americana, e aplicá-los na brasileira para lucrar com essa diferença percentual.

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